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Por uma questão de respeito
Aristóteles, o grego, deixou-nos muitos dentre tantos bons conselhos. Num livro chamado Ética a Nicômaco, o pensador trata a respeito das virtudes que norteiam a vida do homem bom. Em síntese, é pelos atos que praticamos, nas relações com os demais, que nos tornamos justos ou injustos. Se o pai é um imoral, também assim será o filho, que o copiará. Por isso, faz-se necessário estar atento para as qualidades das nossas atitudes e ações. Tudo depende delas. Desde a nossa juventude, existe a necessidade de habituar-nos à prática de atos virtuosos. Interessa-nos, então, estudar a virtude para tornamo-nos bons.
Houve um tempo em que uma das inteligências basilares da minha formação acadêmica afirmava não ser necessário que os seus pares o respeitassem, mas que tão somente tivessem um mínimo de consideração pelo trabalho que se propunha fazer, ao nosso lado e a nosso favor, na Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários da Universidade Federal do Acre. Cá de minha parte, ainda recordo com saudade o tempo em que o eminente João Correia Lima Sobrinho falava de uma espécie de liderança que só pode ser alcançada através de um convívio harmonioso estritamente pautado no respeito de todos para com os demais.
A serenidade que embalava os meus sonhos de pensador imaturo dizia, em voz rouca e contundente, aos meus ouvidos de caçador que, na defesa e até na acusação se deve agir com calma, com parcimônia, com o devido respeito àquele que muitas vezes nem poderá vir a ser o adversário antes imaginado. Há provas concretas de que os Procuradores Federais realmente pautam por vidas indignas do seu cargo? É bom apresentá-las o quanto antes possível, do contrário a inteligência do eleitor estará sendo fortemente menosprezada.
O que não é concebível é um cidadão de bem, dono de um mandato de deputado federal nobremente outorgado pelo povo, atirar seus dardos envenenados contra este edifício majestoso do Poder Judiciário brasileiro. Se um parlamentar de tamanha envergadura intelectual deixa de respeitar as instituições democráticas defendidas tão arduamente pelo povo, o que poderá fazer o criminoso ou o contraventor que têm, realmente, o Estado nos seus calcanhares noite após noite?
É realmente muito ruim conviver com acuações que nos fustigam o sono e a pele. Todavia, é preciso ver que tão somente ao acusador caberá a apresentação dos dados reais que me incriminam, mesmo que seja este o Bento XVI. Se tu acusas é porque amadureceste e tens bases fortes para o que dizes. Do mesmo modo, àqueles que te acusam caberá o ônus da prova.
Quando o também eminente Prof. Adalberto Ferreira da Silva disse ao mundo o que o mundo já sabia - que o PMDB é tal qual uma agremiação de mundanas, em que pese não caber aqui nenhum eufemismo - nada veio em resposta, posto que as acusações calaram no peito dos acusados e não havia o que fazer, a não ser soluçar e deixar o açoite marcar o lombo já dolorido por tantas idas e vindas em meio aos nefastos.
Por tudo isto e por muito mais, preocupa-me deveras a saúde do João Correia Lima Sobrinho, mesmo tendo ele, em família, em casa, três ou quatro médicos sempre dispostos a correrem em socorro do pai que se excede numa autodefesa que deixa muitos a pensar que pode se tratar daquele choro convulsivo que prenuncia a irremediável sentença final.
Ora, ô Joãozinho, se nada tu deves, por que tanto temes? Tranqüiliza-te, homem de Deus!
______________ * Do Depto. De Filosofia e C. Sociais/Ufac: www.claudioxapuri
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 17h29
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