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Um projeto Brasil
Um projeto Brasil
*JOSÉ CLÁUDIO MOTA PORFIRO
Importa observar que a negação do diálogo é a barbárie que se apresenta e se intensifica de forma sutil, porém avassaladora. Não permitir ao meu adversário o uso da palavra será tolher razões que não serão apresentadas ou conhecidas, por mais úteis que possam ser, em prejuízo da verdade que surgiria para benefício dos que precisam ver claras as regras do jogo.
A ida de Tasso Genro em busca de um consenso entre as forças políticas brasileiras mais expressivas da atualidade, há mais ou menos dois meses antes das eleições, demonstrou um amadurecimento deveras promissor de alguns setores mais modernos do PT. É oportuno e saudável à democracia que muitas arestas sejam aparadas em nome de um projeto verdadeiramente nacional que seja elaborado, em conjunto, com o objetivo de suprir carências e lacunas em meio às nossas relações sociais.
Convém assinalar que as atitudes de setores retrógrados e mesquinhos dos dois lados só prejudicam, mesmo levando-se em consideração a modernidade do pensamento e das ações de um ala inteligente composta por políticos que traduzem a exata noção do que são uma teoria e uma prática levadas a efeito para benefício do povo. Tais pensadores, como é o caso de Paulo Delgado, Olívio Dutra, Henrique Fontana, Eduardo Suplicy, Jorge e Tião Viana, Marina Silva e muitos outros vivem um tempo futuro em que a distensão será até obrigatória, em nome dos reais interesses da Nação que deve ser entendida como o grande conjunto de cidadãos pagadores de impostos e merecedores do usufruto do bem público.
A proposta seria a de um projeto comum que focasse o social segundo a ótica tanto de petistas quanto de tucanos. Aí, sim, a democracia teria amadurecido, como verdadeiramente amadureceu ao contato direto com as ocorrências nefastas e os episódios rocambolescos que ultimamente marcaram de forma tão traumática a sociedade brasileira.
Bom é ver que o povo não se deixou enganar pelos acólitos do poder, capitaneados pela revista Veja. Há um tempo, o uso do caixa dois, por exemplo, era praticamente moda entre todos. Nos tempos de Lula, virou crime, de repente, para espanto meu e de muitos. É claro que não advogo tal prática mas, convenhamos, todo esse estardalhaço e esse exagero da mídia, inclusive, esquece que Fernando Henrique Cardoso privatizou dezenas de estatais e escondeu o dinheiro, comprou votos no episódio dantesco da reeleição, escondeu as sacanagens da CPI das Empreiteiras e dos Bingos, acobertou o escândalo bilionário dos bancos Marka e FonteCindam, do banqueiro Daniel Dantas, dentre outras mil falcatruas que, se fossem deixadas vir à tona e ao conhecimento da sociedade, poderiam colocar muita gente de prestígio duvidoso nem apuros... Mas não foi o que aconteceu. O governo acobertou tudo. FHC foi extremamente medroso e não teve coragem de fazer a justiça prevalecer, como o Alckimin não tem peito para enfrentar o PCC, a organização de criminosos que, de dentro das penitenciárias paulistas, comanda as vidas dos paulistanos de todas as classes.
Todavia, em nível macro, a democracia amadurece a olhos vistos porque Luiz Inácio Lula da Silva não tem medo de levar aos umbrais da justiça, inclusive, antigos colaboradores seus que houveram por mal proceder à margem da lei. É lógico que, do indiciado, as investigações primeiro têm apenas indícios. É o aprofundamento das investigações que o torna um acusado que disporá de todos os meios de defesa plena. Não cabe ao Presidente prender ninguém porque respiramos ares democráticos que não permitem a Pena de Talião do “olho por olho, dente por dente”.
Os velhos comendadores e coronéis, financiadores do mal representado pela revista Veja, mais uma vez, a exemplo de meados do século XX, buscam atrapalhar o jogo democrático que seria tão benéfico à Nação. Jorge Bornhausen, Toninho Malvadez e Jereissati Melaram, realmente, melaram o processo... Mas virá a volta por cima e o companheiro Lula se fará, mais uma vez, digno de fazer valer a vontade dos que clamam por melhores dias.
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* Cronista.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h07
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E Deus fez o homem!
No princípio era o Verbo e o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Verbo era a palavra e a partir desta todas as coisas foram criadas. E Deus, então, partiu para a elaboração do ser humano, tarefa sublime que seria a Sua obra prima, segundo as antigas escrituras. E o paraíso era de uma harmonia total. Todavia, o perrengue teve início quando Adão bolinou Eva, a mais afoita dentre todas... Acabaram-se os tempos de calmaria e a zorra começou, mas, só bem depois, é que surgiu entre nós a figura enigmática do professor. E haja discórdia!
E aqui nesta terra de meu Deus, todos hão de lembrar muito claramente que, um dia, Alexandre Herculano, o médico, atendeu Inês de Castro, no pronto socorro da Unimed. A moçoila, já quase advogada, sentira-se tão somente indisposta, mas aplicaram-lhe uma injeção que a matou. A classe médica se uniu, rapidamente, arranjou uma viagem para o curandeiro português e findaram até por livrá-lo do flagrante e dos processos que poderiam correr vagarosos, solertes, aqui e ali... E também havia um outro, o Ramalho Urtigão, que amputou membro de quem estava gripado ou era pobre, ou as duas coisas. Jamais foi melindrado pela lei, até que Deus o levou aí pelo século XIX. Ô povo unido!
Dia desses, fiz abordagens sarcásticas a respeito de advogados que não sabem usar o dicionário ou desconhecem a utilidade dos índices onomásticos, e ainda se dizem doutores da lei. O máximo! Taxei-os de rábulas. E foi pouco. Veio a mim, então, sisudo procurador federal a exigir que baixasse o tom dos meus ditos e feitos, posto que estaria mexendo com parte bizarra de uma categoria que dá nó em pingo d’água. Que classe esperta!
Depois, um programa de televisão colocou no ar Lílian Witefibe, a âncora magra. No meio da prosa, ela asseverou secamente que jamais leria Diogo Mainard pelo fato de o mesmo não ser jornalista. (Este moço é aquele transviado que se entupiu de haxixe, o filho nasceu com as arruelas folgadas e ele, traumatizado, coloca a culpa no Brasil!) Todos os presentes perceberam e tentaram relevar ou compreender a gafe, mas ninguém contrariou a moça, a fim de não prejudicar ainda mais a estilhaçada imagem. Ô categoria compreensiva!
Então, fui convidado a participar de uma reunião entre professores, nas dependências do Ceseme. Lá estavam alguns próceres, como Mário de Sá Carneiro, Gil Vicente, José Régio, Sá de Miranda, dentre outros. Entrei e fiquei ali pelas últimas cadeiras, como querendo explicar a mim mesmo a ojeriza por reuniões cuja finalidade é decepar pescoços muitas vezes inocentes. Na mesa central, postavam-se os quatro mais eficientes e responsáveis professores dentre todos deste rincão acreano, segundo eles mesmos. Discutiam sobre a irresponsabilidade da grande massa dos professores da rede estadual. Ative-me apenas a observar, já me sentindo um protozoário que em nada contribui com a coletividade que me deu guarida. Eis, então, que, de lá, um dos grandes mestres citou o nome deste escriba e professor acusando-me de ter abandonado, em outubro de 1994, um certo Liceu Lisboeta. Vesti, então, a camisa do ineficaz que nunca fui. Agradeci as palavras elogiosas e solenes do amigo professor que a mim se dirigia. Era muita deferência ser lembrado por pessoas de tão fino trato. Depois, acrescentei que tinha estado por cinco meses à espera de uma liberação do Governo que me permitiria cursar pós-graduação a nível de Doutorado, uma vez que o meu projeto de tese tornara-se apto na insignificante Unicamp. O secretário titular da administração, Paulo Pedrazza, havia reprovado todas as minhas pretensões posto que, segundo ele, não seriam necessárias cabeças pensantes para desenvolver um Acre como este. O tal almofadinha adoeceu gravemente e deixou em seu lugar alma benévola que atende pelo nome de Terezinha Marçal. No mesmo dia, o meu processo foi deferido e o imediato afastamento também. Consideraram que tinha família e precisava providenciar a transferência da minha galera para São Paulo. Pense numa Terezinha bacana!
Em síntese, sem saber exatamente a realidade dos fatos, o caríssimo professor meteu-me uma camisa de força e já estava prestes à consumação do ato que seria tirar o banquinho que me ligava ao laço da forca. Ali mesmo, com todo o respeito ao santo, fui crucificado, morto, sepultado e voltei ao terceiro dia, tudo por obra e graça de um genial professor que não enxerga os demais enquanto parceiros da grande obra que é a transmissão do conhecimento para as novas gerações. Ô povo desunido!
Jamais um potentado mestre como este Ramalho Urtigão sensibilizar-se-ia com uma mensagem de união e compreensão para com o papel desempenhado pelos reles professores que ralam nesta nau de pau-a-pique. Seria demais! Estaria plantada a semente de uma classe que não mais faria da difamação e do despeito armas tão brutais e inexoráveis contra os próprios irmãos.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 09h55
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Conversando com Chico Campos'
Passei décadas dessa minha vidinha arcaica ouvindo testemunhos e defesas arrojadas de teses e opiniões na Academia. Fui daqui para acolá tentando entender o que me diziam os ancestrais da filosofia que tem buscado nada mais que dias melhores para o pacato cidadão da periferia social. Senti, já, que quem tem dinheiro tem poder e vive bem porque compra o que quer, inclusive, defesas para atos que margeiam as regras mais básicas da convivência.
Antes, entretanto, para preocupação maior do meu pai estivador, houvera eu nascido em berço esplêndido de paxiúba, forrado com colchão de capim e saco de farinha de trigo. Desde a mais tenra infância, diziam-me os mais velhos coisas do tipo “quem não pode com o pote não pega na rodilha”. E ouvi muitas outras assertivas toscas como esta, mas carregadas de uma sabedoria incrível. E não é que realmente a voz do povo é a voz de Deus!
Mas a questão do ser militante sempre e sempre me tem reservado uma ou duas boas surpresas nessas idas e vindas pelo Vale do Acre, principalmente. Estive a participar da reunião de uma célula do Partido dos Trabalhadores, na Transacreana, no sábado, 23 de setembro. Havia muita gente, inclusive, alguns ribeirinhos do Riozinho do Rola. A pessoa em torno da qual nos reunimos é Wânia Lílian, delegada de polícia de profissão, candidata a deputada estadual. Lá, me sentei à direita da doce Simone, aquela que cuida bem de mim e dos nossos, e à esquerda de um companheiro sangue bom conhecido como Chico Campos.
A Delegada tem um diálogo espetacular com as mulheres e, também, com os homens... E, ainda, com os mais jovens. Tratou ela de temas como a assistência ao pequeno agricultor, a violência contra as mulheres e contra os homens, o atendimento à saúde, as estradas vicinais, dentre outros aspectos. Foi muito bom ver aquela figura humana cheia de boa vontade levando uma mensagem de melhores dias para criaturas tão humildes quanto simples são os seus sonhos.
Mas alguma coisa muito especial estaria por acontecer naquele dia. Um cidadão de cabelos já esbranquiçados, apesar dos cinco ponto quatro, de vez em quando, soltava uma exclamação de apoio às palavras da candidata. E eu o ouvia, também, atentamente. Depois, passada a reunião, já na hora da bóia, bati no ombro do companheiro à esquerda e falei-lhe sobre uma possível chuva que poderia cair mais tarde e estragar a viagem de volta ao Riozinho, pelo ramal. Detive-me, então, por algum tempo, numa prosa factual com esse companheiro bonachão, calmo e boa praça chamado Chico Campos.
Falou-me o velho companheiro, então, sobre as pesquisas, sobre Lula, Jorge, Marina, Tião, Binho, Angelim, Raimundão, dentre outros mais ou menos conhecidos. E foi muito além ao afirmar que “esses poderosos, como esse fazendeiro e médico de nome Geraldo, candidato à Presidência da República, não se cansa de tramar contra o Lula só porque o Lula é pobre, filho de pobre e com cara de sertanejo nordestino.” Olhem só a questão da voz do povo em sintonia com a voz de Deus. E o Chico ainda falou em “índices sociais”!
Analisemos, pois. Chico Campos é daqueles homens simples e atento demais. Do mesmo meu estilo, fala pouco e ouve muito, como se estivesse seguindo na linha o pensamento de Confúcio, o chinês, segundo o qual Deus deu ao homem dois ouvidos e uma boca exatamente para não cairmos na armadilha segundo a qual o mal é o que sai da boca do homem.
É claro que se Lula liderava todas as pesquisas com altíssimas chances de ganhar as eleições no primeiro turno, não seria do interesse dele promover algo que pudesse prejudicar-lhe, como esse famigerado dossiê. No que se refere àqueles que arquitetaram o plano, no caso de sucesso, poderiam ser levados à condição de heróis numa pouco provável virada de Mercadante, em São Paulo. Há até a possibilidade de, no Mato Grosso, terra de negociatas e grandes negociadores da fé pública, esses agentes da trapalhada terem sido convencidos pelos tucanos e pefelistas a ganharem um bom dinheiro numa tentativa de causar algum prejuízo a Lula nos últimos dias de campanha, como no caso de Lurian, a filha de Lula, na época da eleição contra Collor... Certamente, alguém do PT pode até estar ganhando dinheiro para ajudar-se a si próprio e prejudicar um projeto de governo que rendeu índices sociais históricos.
Chico Campos está coberto de razão. O intenção maior dos tucanos e pefelistas é enganar os mais pobres do País. A voz que vem do povo dificilmente se cala principalmente quando um homem de bem clama por justiça.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 09h51
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