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Reflexões por encomenda

É a hora e a vez de dar uma atenção mais especial ao labor científico. Faço, aqui, algumas considerações epistemológicas em atendimento ao que solicita a mim um eficiente aprendiz de feiticeiro.

Para o desenvolvimento de uma nação, nada é mais prejudicial que os aparelhos e os homens que geram e dão à luz a burocracia. James Heckman, em O peso da burocracia e da educação ineficiente, afirma que tal prática eleva enormemente os custos e quem perde é a população que poderia estar muito melhor assistida, principalmente, se levarmos em consideração os problemas do terceiro mundo e, mais particularmente, os do Brasil.

Aqui, as pessoas não são estimuladas à competição. Faltam incentivos que poderiam partir de instâncias governamentais que não se fizessem tão emperradas sob o peso da mão de burocratas e sanguessugas.

Aquela fórmula que faz do pensamento mercantilista antigo a solução mais viável já se esvaiu, se acabou. Já não dá mais para sobreviver, com alguma dignidade, seguindo determinação segundo a qual cada um deve pensar por si e querer apenas estar seguro ante a possibilidade de descer para os níveis inferiores de um sistema de castas que prega a velha máxima dos ricos que deverão ficar cada vez mais ricos, enquanto os pobres ficarão cada vez mais pobres, de modo a que estes últimos sequer se aproximam do bem estar desfrutado pelas classes que estão nos patamares superiores.

Daí, é preciso afirmar que não há outro remédio que surta melhor efeito. Para esta ascensão social, poderíamos contar com escolas de melhor qualidade, com professores melhor qualificados e mais bem pagos, mas não é exatamente isto o que acontece e jamais será o que querem os donos do poder. Segundo os velhos comunistas, para as mãos das castas inferiores não deve ir a caneta e aos seus olhos não deve estar o livro. Se os despossuídos chegarem a ter instrução de melhor qualidade, as reivindicações findarão por decretar um tempo em que as dificuldades serão minoradas e as agruras e apertos na busca do pão de cada dia deixarão de existir por força de uma revolução que partirá dos anseios dos mais pobres que só querem sobreviver condignamente.

Por trás de toda essa ideologia burguesa que quer a pobreza sempre faminta, estão instituições bancárias poderosíssimas, dirigidas pelo capitalismo globalizado, cuja finalidade maior é dizer aos quatro ventos que tem operado para a melhoria da instrução pública do terceiro mundo. É pura enganação. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, na realidade, jogam uma nuvem de poeira e confundem os dirigentes educacionais que não mais conseguem ver um palmo adiante. É claro que a construção de escolas segundo o melhor modelo que a arquitetura já produziu não deixa de ser um fator importante. Todavia, é preciso ver que os níveis qualitativos estão jogados a um terceiro plano inócuo. A qualidade da educação pública brasileira é péssima, em que pese alguns esforços feitos aqui e ali. O aluno sai da quarta série do ensino fundamental sem saber ler ou fazer as quatro operações matemáticas. Sai da oitava ainda com estes mesmos problemas posto que é incapaz de interpretar um texto melhor elaborado. Vai para o ensino médio e, lá, encontra professores rudimentarmente formados por universidades públicas que também não sabem o significado da expressão qualidade da ação educativa, uma vez que poucos professores dão aulas reais e muitos são os alunos perdidos neste redemoinho.

E a democracia respirada pelos brasileiros ainda é pseudônima. Não existe na realidade. Se vivêssemos um ambiente mais democrático, já teríamos visto que as coisas não podem permanecer como estão. Mas as boas lições nunca foram aprendidas de verdade. As teorias foram mal interpretadas e o capitalismo que não dá oportunidade aos mais pobres é que hoje predomina.

A política assistencialista segundo a qual a pobreza diminui se o Estado der dinheiro para os pobres jamais dará frutos saudáveis. Num primeiro momento, talvez sim. É preciso, certamente, que os pais de família tenham o que dar aos filhos e ambos conseguirão produzir mais e melhor. Ainda segundo os velhos comunistas, um homem com o estômago vazio só consegue pensar em aplacar a fome. Depois deste primeiro estágio, equivalente ao bolsa escola ou ao bolsa família, importa, com certeza, investir na qualidade da educação das crianças, o que, em médio prazo, aumentará a qualidade de vida da população em geral.

O Brasil incrementou os gastos no ensino básico nos últimos anos, mas os níveis ainda são muito baixos. O ensino médio é fraco. As universidades públicas não formam os profissionais que fariam o desenvolvimento científico e tecnológico. E isso ajuda a perpetuar a diferença de classes, porque os ricos podem pagar pela boa instrução dos filhos. E isto prejudica um potencial de desenvolvimento social que poderia ser mais amplo, mais abrangente e mais substancial.



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 11h04
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É a hora e a vez de dar uma atenção mais especial ao labor científico. Faço, aqui, algumas considerações epistemológicas em atendimento ao que solicita a mim um eficiente aprendiz de feiticeiro.

Para o desenvolvimento de uma nação, nada é mais prejudicial que os aparelhos e os homens que geram e dão à luz a burocracia. James Heckman, em O peso da burocracia e da educação ineficiente, afirma que tal prática eleva enormemente os custos e quem perde é a população que poderia estar muito melhor assistida, principalmente, se levarmos em consideração os problemas do terceiro mundo e, mais particularmente, os do Brasil.

Aqui, as pessoas não são estimuladas à competição. Faltam incentivos que poderiam partir de instâncias governamentais que não se fizessem tão emperradas sob o peso da mão de burocratas e sanguessugas.

Aquela fórmula que faz do pensamento mercantilista antigo a solução mais viável já se esvaiu, se acabou. Já não dá mais para sobreviver, com alguma dignidade, seguindo determinação segundo a qual cada um deve pensar por si e querer apenas estar seguro ante a possibilidade de descer para os níveis inferiores de um sistema de castas que prega a velha máxima dos ricos que deverão ficar cada vez mais ricos, enquanto os pobres ficarão cada vez mais pobres, de modo a que estes últimos sequer se aproximam do bem estar desfrutado pelas classes que estão nos patamares superiores.

Daí, é preciso afirmar que não há outro remédio que surta melhor efeito. Para esta ascensão social, poderíamos contar com escolas de melhor qualidade, com professores melhor qualificados e mais bem pagos, mas não é exatamente isto o que acontece e jamais será o que querem os donos do poder. Segundo os velhos comunistas, para as mãos das castas inferiores não deve ir a caneta e aos seus olhos não deve estar o livro. Se os despossuídos chegarem a ter instrução de melhor qualidade, as reivindicações findarão por decretar um tempo em que as dificuldades serão minoradas e as agruras e apertos na busca do pão de cada dia deixarão de existir por força de uma revolução que partirá dos anseios dos mais pobres que só querem sobreviver condignamente.

Por trás de toda essa ideologia burguesa que quer a pobreza sempre faminta, estão instituições bancárias poderosíssimas, dirigidas pelo capitalismo globalizado, cuja finalidade maior é dizer aos quatro ventos que tem operado para a melhoria da instrução pública do terceiro mundo. É pura enganação. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, na realidade, jogam uma nuvem de poeira e confundem os dirigentes educacionais que não mais conseguem ver um palmo adiante. É claro que a construção de escolas segundo o melhor modelo que a arquitetura já produziu não deixa de ser um fator importante. Todavia, é preciso ver que os níveis qualitativos estão jogados a um terceiro plano inócuo. A qualidade da educação pública brasileira é péssima, em que pese alguns esforços feitos aqui e ali. O aluno sai da quarta série do ensino fundamental sem saber ler ou fazer as quatro operações matemáticas. Sai da oitava ainda com estes mesmos problemas posto que é incapaz de interpretar um texto melhor elaborado. Vai para o ensino médio e, lá, encontra professores rudimentarmente formados por universidades públicas que também não sabem o significado da expressão qualidade da ação educativa, uma vez que poucos professores dão aulas reais e muitos são os alunos perdidos neste redemoinho.

E a democracia respirada pelos brasileiros ainda é pseudônima. Não existe na realidade. Se vivêssemos um ambiente mais democrático, já teríamos visto que as coisas não podem permanecer como estão. Mas as boas lições nunca foram aprendidas de verdade. As teorias foram mal interpretadas e o capitalismo que não dá oportunidade aos mais pobres é que hoje predomina.

A política assistencialista segundo a qual a pobreza diminui se o Estado der dinheiro para os pobres jamais dará frutos saudáveis. Num primeiro momento, talvez sim. É preciso, certamente, que os pais de família tenham o que dar aos filhos e ambos conseguirão produzir mais e melhor. Ainda segundo os velhos comunistas, um homem com o estômago vazio só consegue pensar em aplacar a fome. Depois deste primeiro estágio, equivalente ao bolsa escola ou ao bolsa família, importa, com certeza, investir na qualidade da educação das crianças, o que, em médio prazo, aumentará a qualidade de vida da população em geral.

O Brasil incrementou os gastos no ensino básico nos últimos anos, mas os níveis ainda são muito baixos. O ensino médio é fraco. As universidades públicas não formam os profissionais que fariam o desenvolvimento científico e tecnológico. E isso ajuda a perpetuar a diferença de classes, porque os ricos podem pagar pela boa instrução dos filhos. E isto prejudica um potencial de desenvolvimento social que poderia ser mais amplo, mais abrangente e mais substancial.



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 11h02
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