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Chega de abuso!
O Walter Prado merece os aplausos da comunidade, da mesma forma que mereceu ao tão bem cumprir o desiderato de agente da segurança pública. Lembra-me, com certeza, a potência do chute que fazia a bola viajar a um palmo do chão. Quase indefensável. O homem é irrequieto desde sempre. Já buliu com os grileiros do Amazonas e descobriu manobras escabrosas. Já foi lá e veio cá, em poucos dias de mandato. E agora chega a hora e a vez do justiceiro - no bom sentido - fazer justiça.
A Companhia de Eletricidade do Acre necessita, sim, de alguém que ponha algum freio nesse seu intrépido ímpeto ganancioso. Os agentes que trazem a força e a luz cá pra dentro de casa descuidam do fato de que, aqui, moramos nós, humanos, alguns gordos, outros dietéticos, mas gente, de carne e osso.
Numa época em que estávamos de férias, em Florianópolis, a conta deu um salto tão espetacular que eu não pude pagá-la naquele fevereiro de 2005, e fui pro março, na pindaíba, apesar de o Senhor Lafaiete, nosso segurança, ter permanecido o mês todo sem acender um bico de luz, no dizer dele, porque é mais fácil observar o malfazejo que se aproxima... O homem mal acendia um porronca que espantava até cobra... Não lembrei que poderia recorrer ao órgão de defesa do consumidor. Puxei da grana, então, e paguei, sem reclamar, feito besta.
Depois, quando foram trocar os postes e fazer as instalações daquelas luminárias modernas da Nova Avenida Ceará, não se sabe ainda por artes de quais demônios endemoniados, a placa madrasta do meu luxuoso portão eletrônico foi pro pau. Dirigi-me, pois, àquele aglomerado humano onde dizem bem atender as vítimas da companhia de força e luz. Malgrado. A mocinha petulante - uma Rosinha qualquer - me disse que talvez fosse inútil montar o processo posto que eu jamais poderia provar que a culpa fora da Eletroacre. Desisti. Paguei duzentos paus ao Jair, expert em portões chiques. E, mais uma vez, não busquei os meus direitos de consumidor sempre ludibriado.
Estava agora mesmo a esperar a próxima manobra dos rapazes e moças que dão a luz. Mas nem esperei tanto. Conforme as explicações e/ou justificativas que correm mundo afora, as contas de janeiro em diante estão sendo cobradas segundo uma média que é feita com base no consumo de meses anteriores, posto que não há recursos humanos suficientes para as leituras dos relógios... E eu que me dane! Que pague o pato! Carrapato!
Então. O consumo da minha humilde vivenda ficava entre R$ 240 e r$ 250 nos meses que antecederam o apagão humano. A média ficaria, certamente, em R$ 247,50, a não ser que me tenha enganado o Malba Tahan. Muito pelo contrário, numa lógica lancinante e absurda, eles houveram por bem cobrar-me R$ 302 e R$ 317, nos meses de janeiro e fevereiro, respectivamente. Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? Tira da alma dessas criaturas insanas a mediocridade que as leva a cometer atos tão despudorados. Ou eu devo ir ter com o Procon...
Sim, porque com a Brasil Telecom aconteceu algo do gênero picaresco - talvez de picareta - cômico se antes não fosse trágico. Fui ao Procon. De lá, segundo disse uma funcionária da telefônica, teria que recorrer às pequenas causas. Foi exatamente o que fiz. Estava de férias. Tinha tempo... Em uma semana, de Porto Velho me telefonaram dizendo que a linha já estava restabelecida, que houveram eles cometido um engano, que somos humanos para errar e continuar errando... E patati-patatá... Tudo bem. Numa boa. Só que o escrivão me deu uma dica legal. Pelo fato de eles haverem me cobrado o que não devia, estou a exigir uma indenização de R$ 7.000. Dinheiro que será doado a uma instituição que cuida de crianças gordinhas e saudáveis... Justamente a minha casa... Ora, pois!
É preciso reclamar, sim. Esses acólitos do capital não têm pena nem das mães deles que, no mínimo, já não usam energia elétrica ou telefone porque já não mais fazem parte desse vale de lágrimas e roubos à luz da noite clara iluminada pela Eletroacre nossa de cada manobra escusa nas esquinas dessa vida crassa.
Mas é conveniente observar que alguém da esfera federal, quem sabe o Fernando Melo, poderia dar ou emprestar algum eco para as palavras do Walter Prado de modo a fazer com que elas ressoassem no planalto central. A Aneel e a Anatel precisam ser conveniente acordadas para o bem do povo.
Não estaria eu a precisar de favores do nobre deputado. Bajular não faz parte do meu ofício ou da minha índole, muito pelo contrário. Quando elogio é porque uma espécie de clamor surdo quer reverberar para o júbilo dos homens de bem desta terra. Quando critico é porque alguma farofa azeda foi colocada na cumbuca das minhas relações sociais.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 03h06
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cont...
O bonde do destino, da vida,
percorre trilhos gastos
pelo tempo implacável,
resoluto, eqüidistante.
Ameaça de fome,
ameaça de frio.
Verões cinzentos,
noites quentes,
diálogos ambíguos.
Viver não é melhor que sonhar.
Viver é viver, e pronto.
Lastimável é este torpor
que invade a alma atônita
em noites tórridas
para corações pequenos, gelados.
Ind’agora abstive-me,
por precaução.
Insanidade insossa.
Calmaria invulgar.
Quase não tenho pressa,
mas vivo porque gosto
e porque preciso
e porque devo.
A labareda intensa, antes,
fez-se assim fugidia, tênue.
Pensamentos que já não voam
pousaram no tenro galho do ingá.
Estar e não estar, agora,
é estar só, incrivelmente só,
apesar da companhia suave, macia,
de quem está ao lado
e pensa na felicidade,
apesar dos pesares.
Então, caminhante devasso,
É hipócrita que teima em divagar
ao redor de si mesmo...
Infelizes são aqueles mais afoitos
que buscam na liberdade
a forma única de estar só,
muito embora acompanhado...
O trem da vida passou lotado. Foi...
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 03h03
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Viandante
Flores tristes no jirau.
Pássaros sombrios.
Pegadas de um ontem.
Rastos da meninice.
Manhãs de inverno.
Para mim, sorriu o passado.
De mim, duvidou o futuro
que se pergunta:
onde estás, ó Zé?...
Já te foste, tão cedo?
Passagem comprada.
Destino incerto.
Cadê você?
Ninguém te viu.
Ninguém te vê.
Poucos te respondem...
Vai, Zé!
Busca a essência
do que o tempo te deu de graça.
Barcos e velas.
Vidas e vindas
de um destino maduro.
Devir que se esparrama
ou se dependura cerca afora
e quase a tocar o chão...
E foram tomando corpo e mente
feito roupa no varal.
Volumosos e abundantes.
Vi e senti espasmos de felicidade.
Uma pena!
O velho urso hiberna
e dá quase a entender que
o sentido da vida é viver ao léu
feito nau desgovernada...
E cadê o trem?
Talvez um outro apanhe
o viandante vagabundo
no meio de um dia frio
que há de ser, mais tarde,
de incrédula beleza.
E as nuvens? Cadê as nuvens
da fumaça do trem da vida, o outro,
o novo, que já chegou...
Mas a fila é imensa...
E a breve e última quimera
Findou por perder-se
No fio da parca memória...
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 03h02
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