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Impressões gerais
 

Nenhuma sutileza

O princípio elaborativo da falsa moral básica pura e a sexualidade transcendente entre homens e mulheres pouco sutis. Assim mesmo. Sem figuras de estilo piegas. Eis o título de um projeto que se pretende grande, sempre consideradas as reais possibilidades de um aborto prematuro, é claro.

Aqui, pois, o objetivo é dar foros de legitimidade e deixar registrada a idéia que não deve ser copiada, principalmente, por japoneses de olhinhos sacanas que nunca tomaram açaí, mas o dizem de sua propriedade, com patente registrada e tudo por algum conselho internacional de “bioladrões”.

Então, rememorando Luís Vaz de Camões na primeira estrofe d’Os Lusíadas, que alguma força do bem dê fôlego a este poeta insano, pequeno burguês, que se aventura por estes mundos insondáveis que é a alma humana, notadamente, quando os temas nada têm de sutis... E por aí sigo eu na vã pretensão e na esperança de que Deus me ajude e, em alguma época, alguém possa ou consiga ler estas algaravias, às vezes picantes, às vezes tão ou quase educativas. Com mil perdões antecipados!

Metodologicamente, num primeiro momento, alguns cavalheiros desta amada terra de Galvez farão perguntas mordazes, no que até poderão ser ajudados pelas moças.

- Qual é a sua opinião a respeito do sexo depois do casamento, na pulada da cerca, logicamente, com outro ou outra? É legal, é imoral ou engorda?

- Vai que o seu filho arranja uma esposa sacana. Um dia a senhora descobre que o netinho tão amado, já com sete anos, não é filho dele, mas de um nobre cafajeste que se deita com a sua nora. O que a sua coerência mandaria fazer?

- Se a filha do vizinho tem caso com homem casado, é claro, é uma puta. Se o filho do vizinho tem caso com homem solteiro, trata-se de um grande veado. E se o filho ou a filha fossem seus?

- Coloque o seu projeto de Ricardão, o marido, para esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque. Aí, vai a senhora para o escritório e se aproveita daquele secretário sarado, estilo Gianechini. O esposo doméstico, em casa, poderia tirar uma casquinha daquela empregada metida a Juliana Paes? Por quê?

- O que a senhora acha que os homens ficam conversando nas mesas de boteco até altas horas? Poderiam eles estar em outros locais mais aprazíveis? E as mulheres estariam obrigadas a tais práticas hoje tão convencionais?

E por aí vai...

Em um segundo momento, damas sem papas-na-língua, interpretando os perfis psicológicos abaixo delineados, responderão às perguntas feitas anteriormente. Caberá a cada uma escolher a personagem que melhor lhe aprouver.

Mariah Carey. Natural das Ilhas Jersey. Trata-se da mulher mais estressada do mundo. Tem um marido calmo, quase letárgico que, se não apanha de açoite, morre na peia todos os dias de tanto ouvir um palavreado cheio das conotações mais negativas de que se pode ter notícia. É de maus bofes, sim. Quando não está reclamando da vida e dos seres humanos, está falando dos defeitos dos parentes, posto que ela não tem nenhum. É vítima assumida do destino que lhe reservou um marido que nunca lhe deu umas boas mãozadas para ela se orientar e não lhe chamar nunca mais de “Abestado”, como faz sempre.

Madelaine Blanché. Nasceu entre os vinhedos da região da Alsácia e Lorena, na França. Depois viveu em Caiena. Está separada de um marido que acaba de ficar viúvo. A separação, praticamente, não foi sentida. O ex-marido ficou cego de um olho, tem uma perna mais curta que a outra, é meio zambeta e, por isso, foi rapidamente esquecido. É liberal e modernosa. Gosta muito de cerveja e está numa farra já programando a outra. No Carnaval, toma todas. A vida é uma festa. Cozinha maravilhosamente bem. Está sempre aberta ao diálogo. É amiga leal de todos a ponto de sempre se decepcionar com alguns porque, já no início da amizade, a tendência é sempre ver o novo amigo enquanto uma pessoa excepcional, gente boa, bacana, e tudo mais.

Giulliete Binoche. De origem humílima, veio à luz em Greenpines, Massachussetes, Estados Unidos. Quando adolescente foi empregada doméstica. Lavou, passou, cozinhou e foi maltratada. É professora de Geografia, mesmo sem saber exatamente quais e onde estão os quatro pontos cardeais. Faz parte de um seleto grupo de “adevogados” acreanos que se enrola todo quando a tarefa é procurar significados de palavras no Aurélio. É católica fervorosa e uma das pessoas mais corretas que o sol já cobriu, segundo ela própria.

Sue Andersen. É natural das terras altas da Escócia, mais precisamente do Condado de Horsevalley, nas proximidades de Edinburgo. Trata-se de um comportamento às vezes com doses exageradas de uma violência que, felizmente, não é colocada em prática. É católica praticante, mas odeia o próximo e quer que o próximo se lasque na primeira esquina. É ruim de gênio e maldosa.

Enfim, para arrematar toda a argumentação, caberá a este aprendiz de feiticeiro tabular o grande número de repostas e emprestar o toque final a estes alfarrábios que, um dia, haverão de ser vendidos nas melhores livrarias do Jordão, Santa Rosa do Purus, Japiim e adjacências.

Mas tudo isso é apenas um projeto e qualquer colaboração menos tosca poderá ser aproveitada. Favor escrever para claudioxapuri@hotmail.com

 



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 22h36
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Nenhuma sutileza

O princípio elaborativo da falsa moral básica pura e a sexualidade transcendente entre homens e mulheres pouco sutis. Assim mesmo. Sem figuras de estilo piegas. Eis o título de um projeto que se pretende grande, sempre consideradas as reais possibilidades de um aborto prematuro, é claro.

Aqui, pois, o objetivo é dar foros de legitimidade e deixar registrada a idéia que não deve ser copiada, principalmente, por japoneses de olhinhos sacanas que nunca tomaram açaí, mas o dizem de sua propriedade, com patente registrada e tudo por algum conselho internacional de “bioladrões”.

Então, rememorando Luís Vaz de Camões na primeira estrofe d’Os Lusíadas, que alguma força do bem dê fôlego a este poeta insano, pequeno burguês, que se aventura por estes mundos insondáveis que é a alma humana, notadamente, quando os temas nada têm de sutis... E por aí sigo eu na vã pretensão e na esperança de que Deus me ajude e, em alguma época, alguém possa ou consiga ler estas algaravias, às vezes picantes, às vezes tão ou quase educativas. Com mil perdões antecipados!

Metodologicamente, num primeiro momento, alguns cavalheiros desta amada terra de Galvez farão perguntas mordazes, no que até poderão ser ajudados pelas moças.

- Qual é a sua opinião a respeito do sexo depois do casamento, na pulada da cerca, logicamente, com outro ou outra? É legal, é imoral ou engorda?

- Vai que o seu filho arranja uma esposa sacana. Um dia a senhora descobre que o netinho tão amado, já com sete anos, não é filho dele, mas de um nobre cafajeste que se deita com a sua nora. O que a sua coerência mandaria fazer?

- Se a filha do vizinho tem caso com homem casado, é claro, é uma puta. Se o filho do vizinho tem caso com homem solteiro, trata-se de um grande veado. E se o filho ou a filha fossem seus?

- Coloque o seu projeto de Ricardão, o marido, para esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque. Aí, vai a senhora para o escritório e se aproveita daquele secretário sarado, estilo Gianechini. O esposo doméstico, em casa, poderia tirar uma casquinha daquela empregada metida a Juliana Paes? Por quê?

- O que a senhora acha que os homens ficam conversando nas mesas de boteco até altas horas? Poderiam eles estar em outros locais mais aprazíveis? E as mulheres estariam obrigadas a tais práticas hoje tão convencionais?

E por aí vai...

Em um segundo momento, damas sem papas-na-língua, interpretando os perfis psicológicos abaixo delineados, responderão às perguntas feitas anteriormente. Caberá a cada uma escolher a personagem que melhor lhe aprouver.

Mariah Carey. Natural das Ilhas Jersey. Trata-se da mulher mais estressada do mundo. Tem um marido calmo, quase letárgico que, se não apanha de açoite, morre na peia todos os dias de tanto ouvir um palavreado cheio das conotações mais negativas de que se pode ter notícia. É de maus bofes, sim. Quando não está reclamando da vida e dos seres humanos, está falando dos defeitos dos parentes, posto que ela não tem nenhum. É vítima assumida do destino que lhe reservou um marido que nunca lhe deu umas boas mãozadas para ela se orientar e não lhe chamar nunca mais de “Abestado”, como faz sempre.

Madelaine Blanché. Nasceu entre os vinhedos da região da Alsácia e Lorena, na França. Depois viveu em Caiena. Está separada de um marido que acaba de ficar viúvo. A separação, praticamente, não foi sentida. O ex-marido ficou cego de um olho, tem uma perna mais curta que a outra, é meio zambeta e, por isso, foi rapidamente esquecido. É liberal e modernosa. Gosta muito de cerveja e está numa farra já programando a outra. No Carnaval, toma todas. A vida é uma festa. Cozinha maravilhosamente bem. Está sempre aberta ao diálogo. É amiga leal de todos a ponto de sempre se decepcionar com alguns porque, já no início da amizade, a tendência é sempre ver o novo amigo enquanto uma pessoa excepcional, gente boa, bacana, e tudo mais.

Giulliete Binoche. De origem humílima, veio à luz em Greenpines, Massachussetes, Estados Unidos. Quando adolescente foi empregada doméstica. Lavou, passou, cozinhou e foi maltratada. É professora de Geografia, mesmo sem saber exatamente quais e onde estão os quatro pontos cardeais. Faz parte de um seleto grupo de “adevogados” acreanos que se enrola todo quando a tarefa é procurar significados de palavras no Aurélio. É católica fervorosa e uma das pessoas mais corretas que o sol já cobriu, segundo ela própria.

Sue Andersen. É natural das terras altas da Escócia, mais precisamente do Condado de Horsevalley, nas proximidades de Edinburgo. Trata-se de um comportamento às vezes com doses exageradas de uma violência que, felizmente, não é colocada em prática. É católica praticante, mas odeia o próximo e quer que o próximo se lasque na primeira esquina. É ruim de gênio e maldosa.

Enfim, para arrematar toda a argumentação, caberá a este aprendiz de feiticeiro tabular o grande número de repostas e emprestar o toque final a estes alfarrábios que, um dia, haverão de ser vendidos nas melhores livrarias do Jordão, Santa Rosa do Purus, Japiim e adjacências.

Mas tudo isso é apenas um projeto e qualquer colaboração menos tosca poderá ser aproveitada. Favor escrever para claudioxapuri@hotmail.com



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 22h32
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Ele, Sísifo!

Nascia e morria todos os dias na primeira hora do alvorecer. Do litoral rochoso do Mar Egeu, no lado grego, lhe tocava a pele, ainda cedo, leve brisa que prenunciava sol forte de verão causticante até muito e muito mais tarde da vida.

Viram-no em cueiros e, já, o oráculo de Delfos e a Pitonisa, dentre muitos, o diziam um predestinado. Seria mais um entre tantos Sísifos da modernidade futura a pagar pena perpétua por pecado mínimo.

Certo é que, ainda em adolescente, já se acostumara ao fardo pesado de mil culpas diárias por fatos inimagináveis, imponderáveis. Logo depois, alguém houvera por bem ou por mal espalhar boato infame segundo o qual, de uma ponta à outra da rua, o menino que chorasse não era de ninguém... Era dele. Ah, coitado! Não tinha sequer direito às verdes, posto que as maduras já haviam sido colhidas e muito bem pagas, em aconchegantes bordéis exclusivos, de alto requinte e luxo, àquela época clássica já denominados motéis. Tudo a peso de um ouro que o nosso herói jamais conseguiria amealhar, mesmo levando em conta toda uma vida bandida prenhe de poucas economias e muitas privações e prevaricações. Oh!

Foi mais ou menos por aí que Zeus, o Deus dos nossos deuses tão pequenos, resolveu proibir que o sol iluminasse toda a grande região da Trácia. Sísifo - alguém chegou a dizer - era um cidadão trácio. Pagava impostos em dracmas draconianas.

E os dias foram amanhecendo, um a um, um por vez, a cada movimento de rotação do planeta já estudado pelos gregos. Mas tudo continuava escuro feito o breu... E a escuridão permanecia, já, por mais de um ano, até que o nosso herói resolveu ir ter com o supremo Deus dos Deuses. Sequer conseguiu audiência com a secretária do chefe de gabinete, mesmo tendo se apadrinhado de um tal Pisístrato, ou Delfim, ou Neto, e por aí vai...

Voltou, então, decepcionadíssimo, pensativo: todo o amor que eu te dei você nem ligou. Ele houvera tido um caso quase platônico a partir do leito e do coração partido de uma ninfeta de nome Lilinéia, da corte do poderoso Eólo, o deus dos ventos. Todo bem que eu te fiz você se esqueceu. Nas artes da cama eram ambos versados e proseados segundo a mais genuína tradição literária de Homero, que foi também passada a Ovídio e a Camões e a Baudelaire e a José Augusto Fontes e a Cláudio Xapuri, aí já viajando pelas mais altas temperaturas abaixo da linha do Equador... Uma loucura!

Certo é que o legendário herói grego, feito um porra-louca, resolveu, clandestinamente, como sempre gostou, numa das noites intermináveis, subir o monte Olimpo onde estava o Palácio de Zeus, aquele que negara fogo. Já com um mapa minucioso em mãos e tendo-se tornado bastante hábil nas artes de pular cercas e muros, lá chegando, foi direto à pira onde o Deus dos Deuses guardava o fogo sagrado. Não titubeou um segundo sequer. Apanhou uma tocha. Acendeu-a e saiu correndo feito um louco com medo de ser visto por algum guardião embriagado que poderia, àquela hora, estar serpenteando alcovas e sentindo o mais puro cheiro da maçã, numa alusão a um dos bregas mais clássicos do nosso cancioneiro nacional do Brasil varonil.

Sísifo, então, correu por alguns quilômetros e já foi vendo o sol que brilhava por sobre a sua querida Trácia dos sonhos juvenis. Uma beleza!

Ninguém vira o roubo. Apenas Zeus e Afrodite, mãe de Lilinéia. O todo poderoso Deus dos Deuses, muito puto com a vida eterna, houve por bem, então, acusar, julgar, condenar e sentenciar, na marra, o pequeno ladrão humano aplicando-lhe pena drástica demais, severíssima... Sísifo, por mil anos, foi obrigado a subir uma montanha íngreme e, lá em cima, deitado por sobre o cume de um penhasco, todos os dias da vida milenar, teve vísceras e fígado dilacerados e comidos por abutres criados nos terreiros de macumba do Olimpo. A cada noite, os órgãos eram reconstituídos por obra e graça do Poderoso Zeus para, no outro dia, mais uma vez, a rotina repetir-se... Uma merda!...

Por mais argumentos que fossem usados, a pena nunca sofreu relaxamento algum, até porque ali não vigorava o Código Penal Brasileiro. Por mais fatos, testemunhos ou provas contundentes que apresentasse à comissão julgadora da sua justificada estripulia inocente e imbecil, jamais o castigo foi revisto e, ainda hoje e por todo o sempre, o pobre Sísifo não usará teleférico para subir a montanha, nem botinas sete léguas que lhe protegeriam os pés... O condenado mais antigo de todas as eras continuará a rotina diária que é restaurar os bofes sem ter a necessidade de enfrentar a fila do sistema único de saúde...

Em verdade, hei de vos dizer... Por mais absurda que seja uma condenação, sempre haverá uma via através da qual a defesa buscará recursos. Por mais real que seja um crime, a pena máxima nunca poderá chegar a mil anos de execução...

Não é preciso sofrer tanto... Afinal, Sísifo é apenas um humano ridículo e limitado que só pensa dez por cento da sua cabeça animal, como diria o bom Raulzito... Então, ide e pregai o perdão por esses desertos de meu Deus afora... Aleluia!...



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 22h27
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Pompeu das artes

O risco que corre o pau corre o machado. Da mesma forma que o sujeito pode bater, também pode apanhar, e muito. Quem não pode com o pote não pega na rodilha. Se você não agüenta a pancada, fique quieto e deixe que os que têm reais condições resolvam o problema.

Volto, pois, a tratar mal e bem da vida peripatética, exagerada, do bom Pompeu de Adélia, professor, poeta e dublê nas horas vagas, posto que, nas outras, ocupava-se de ir acima e abaixo levando, caprichosamente, uma vidinha cheia de artes e aventuras, notadamente, naquilo que Epicuro, o filósofo, pregou com tanta contundência, o hedonismo (epicurismo), doutrina que considera o prazer individual e imediato o único bem possível, princípio e fim do bem viver.

O venturoso Pompeu, aqui denominado Das Artes, vendeu aulas a preços módicos em colégios de garotos ricos e em escola de menino pobre, no singular mesmo!

Charles Aznavour, então, era garoto humilde, acreano de Rio Branco, residente e domiciliado numa periferia à época denominada Cadeia Velha. É claro que, como boa parte daquela casta crassa, trazia um nome estrangeiro e carregava uma alcunha em bom acreanês... Codinome CABRITO! Jogava futebol vistoso e era considerado craque de mão cheia nas peladas e presepadas no campo do Senai. Magro como a cotovia do agreste, achava a si próprio muito elegante a ponto de fazer investidas, até poéticas, nas poucas cabrochas, meio feias, meio belas, que dele se acercavam. A fulana era fã do nosso herói; a sicrana arreara os quatro pneus de tanta paixão pelo futuro bode, e assim por diante...

E Pompeu de Adélia conheceu o Charles Aznavour “das barrancas do Rio Acre”, aí pelos idos de 1973, quando este era estudante do Grupo Escolar Georgete Kalume, vizinho do Senai. De certa feita, contou a mim o gentil professor, poeta e dublê das artes, uma ocorrência singular. Aznavour era aluno da quarta série do primário, dizia a todos saber ler muito bem, mas nunca, em tempo algum, jamais, alguém o tinha ouvido ler em voz alta. Anthony Bernard, um colega de sala, negrão espadaúdo metido a goleiro, correu e foi contar à Professora Sandy McDowell o boato não tão maldoso. Esta, por sua vez, entendeu a mensagem “na boa” e, como estavam no final do ano, inventou, ali mesmo, um teste de leitura que ocorreria dali a uma semana.

Passou o período e Charles nem aí!... Então, no dia do exame, Sandy, a mestra, chamou o nosso herói à mesa. Tremeu e tremeu, lá foi, mas não conseguiu ler uma palavra sequer. Com pena, a professora pediu que ele dissesse ao menos o nome do autor do texto e já estaria garantida a tão desejada nota cinco. Foi aí que Aznavour sapecou: “os cabrito vieru du matu!” É claro que ninguém entendeu nada. Todavia, em seguida, todos entenderam tudo. O nome do autor era Oscar Brito Vieira de Matos. Por isto, ainda hoje em dia, Aznavour, um príncipe, membro da Police de France, atende por codinome de tanta singeleza. Um mimo!...

Em uma outra ocasião - segundo relato que me fez há poucos meses - Pompeu era estudante da grandiosa University of Acre, onde estudava letras mortas e fonemas apagados. A turma era composta por uns três machos, uns quatro nem tanto e umas duas dúzias das mais belas mulheres que o sol já cobriu. Coçando a cabeça e rememorando aqueles tempos bons, o velho mestre fez questão de dar ênfase a uma tirada mui jocosa segundo a qual “uma das melhores dádivas que a mãe natureza (lhe) proporcionou foi ter convivido tão prazerosamente com estas maravilhosas mulheres e suas fantásticas máquinas de fazer xixi”. Muito sem graça!.

Foi por esta época que conheceu uma jovem mulher largadaça do maridão piegas. Tiveram um caso de cama, mesa e banho. Ela, de nome Estelita (do acreanês “estrelinha”), apresentou-lhe gentil e meiga senhorita que acabara de chegar de Belém para continuar os estudos no mesmo período. A toda boa atendia pelo leve nome de Estela, daí a aproximação fácil e rápida.

Pompeu sentava-se no fundo da sala, no mais das vezes dormindo por trás de uns óculos rayban, estilo delegado de polícia. Engraçado é que o bom Aramô Pascoal, mestre do Latim, recitava “Lupus et uva”, de Cícero, fazia três ou quatro declinações olhando para o dorminhoco, como se ele estivesse acordado...

Numa calorenta tarde, depois do sono das catorze, corria uma aula de Estilística muito bem orquestrada pelo grande Luciano Levy. Pompeu, para tirar uma onda, acendeu um Hollywood. Fumou a metade porque sequer sabia fumar. Olhou para o basculante alto e, numa caçuleta, atirou o cigarro. Este, caprichosamente, bateu no ferro que move a peça e caiu pela parte de trás da gola do vestido de Estela, ainda aceso. Estelinha, ao sentir o drama ardente, saiu correndo para o banheiro mais próximo que ficava a uns quarenta metros acompanhada por toda a mulherada e pelos demais que não eram nem uma coisa nem outra. Resultado: acabou-se a aula e começou a farra... Era sexta!

Estas são apenas mais duas dentre tantas peripécias do nobre Pompeu de Adélia no mundo do cuspe e do giz... Qualquer relação com fatos ou nomes da vida real terá sido mera coincidência.

 



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 22h25
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