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Álcool verde-amarelo
Sim, este é o nome da minha usina de metanol, a ser inaugurada não sei aonde e muito menos quando. O que vale é a intenção do projeto... Haverá emprego para todo esse meu povão pobre verde-amarelo, desnutrido, mas com muita vontade de trabalhar e melhorar de vida, quem sabe, um dia, quando os poderes constituídos observarem que gente é pra ser feliz.
É o caso mesmo das hidrelétricas que não estão, já, sendo construídas porque um peixinho deixará de existir nas águas amazônicas. E o homem? Deverá ele morrer de fome para que a piaba sobreviva? Ora, pois! O contribuinte simples, como este pretenso poeta, apesar de energizado, precisa pagar menos pela energia que consome, é claro. Por outro lado, as grandes indústrias, que exportarão uma gama infinda de produtos para o gigantesco mercado chinês e adjacências, poderão ser implantadas muito mais facilmente se o sistema energético deixar de ser movido a óleo diesel, um combustível caríssimo, não-degradável, logo, poluente, bem mais que um grande lago que incrementará o turismo regional, principalmente, em Rondônia... Eu próprio já estive em Carmo do Rio Claro, sul de Minas, bela cidade re-construída à beira do lago de Furnas, como outras dezesseis. Lá, cada prefeito fez sua praia artificial, investiu na criação de peixes, apoiou pequenos empresários do ramo da hotelaria e similares, e aqueles lugarejos mínimos de antes são, hoje, verdadeiros pólos turísticos... Eis desenhado o futuro do Mutum-Paraná, com as bênçãos de Evo Morales, el cocallero...
A bem da verdade, esta é uma das últimas fronteiras do mundo a ser desvirginada pelo poderio do potente capital. O que tem acontecido desde que o homem se fez ambicioso é exatamente o que ocorre, também, com a ex-Alcobrás, um investimento maluco peitado por um doido chamado Zé Alves e amparado por uma instituição bancária aloprada, no caso, o Banco do Brasil, tendo este, logicamente, atirado na privada o meu dinheirinho de correntista desde 1978... Só que o BB jamais perde... Só mama.
No processo capitalista desbravador cruel, primeiro chega a ralé ossuda, os mais pobres e, com suas foices, seus machados, suas fomes, suas famílias imensas, seus sonhos parcos e seus sacrifícios eternos, abrem a clareira, constroem uma choupana, às vezes de lona, e ali se fixam por algum tempo. Chega então o empreendedor aventureiro, barganha e leva o lugar e as benfeitorias por uns tostões quaisquer, quando não mata o abestalhado e leva tudo na marra porque, antes de Deus nascer, tudo aquilo já era do vândalo inescrupuloso, um Darli qualquer da vida, por exemplo.
E a minha fantástica usina de álcool verde-amarelo? Esta, sim, obedecerá a todos os mandamentos contidos no decálogo de Moisés, o do Velho Testamento. Aí, então, virão o Instituto de Meio Ambiente do Acre e o Ministério Publico e aplaudirão a grande façanha minha que é ter feito nascer do nada, num passe de mágica, no reino do faz-de-conta, um empreendimento que gerará renda e deixará o povo feliz, muito feliz, posto que de estômago cheio e fígado temperado para a gelada do sábado. Ah, sim! O ICMS e o IPI que serão arrecadados pelo Estado transformar-se-ão na fortuna bilionária que fará da minha periferia o melhor lugar do mundo para se viver. Já pensou em Capixaba? Aquilo lá será o meu eldorado da hiléia, com avenidas luminosas, parques floridos, praças modernas, patati-patatá-patati-pataculá... Ah, o Taquari dos meus sonhos!... Os casebres serão mansões, aquelas lagoas antigas serão revivificadas, a matinha do fundo será um horto não esfumaçado e a paisagem será bastante outra.
Não eu não estou sonhando acordado! Estou dormindo, mesmo. E pronto!
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 13h42
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CHAMADA GERAL
Atenção! Senhores Artur Leite, Anselmo Forneck, Eufran Amaral, e senhora Cleysa Cartaxo. Vós sois a exata e competente personificação da Semeia, do Ibama, da Sema e do Imac. Logo, estão por merecer uma sugestão de ordem praticíssima, com as desculpas deste poeta insano que entende pouco de pouca coisa. É que por estes torrões ocidentais, antes denominados Ilha de Santa Cruz e Terra de Vera Cruz, muitos são os que falam até demais e pouquíssimos metem a mão na lama. Devo comunicar à Nação que, no Acre, estamos no término da super safra de manga. Em um mês, como isso tudo aqui vira um quase charco propício ao plantio da espécie, milhões de caroços (sementes) germinam sob as mangueiras para depois serem pisoteados pelos inconseqüentes. A idéia é distribuir aqueles sacos pretos de plástico, com algum adubo, para que as pessoas plantem as arvorizinhas e, depois, as replantem nas margens dos rios, igarapés, lagos e similares, com a observação relativa ao devido espaçamento de uma muda para a outra... Há que se levar em conta, inclusive, os teores alimentares da fruta que, no futuro, poderá ser até exportada, dada a grande quantidade da produção... Mas tudo isto é apenas uma mera sugestão.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 11h52
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Até quando...
... seremos obrigados a tolerar esses pseudo-colonizadores que por aqui chegam carregando nos bofes os antídotos para os males dos acreanos?
Ora, bolas! Os hipócritas chegam por aqui arrastando a cachorinha faminta e, depois, adquirem ares de nobreza mesmo devendo fios do cabelo ao Bradesco... A mediocridade lhes obriga a cuspirem no prato que comem. Eu os diria medíocres e pouco inteligentes ao tomarem certas atitudes que ferem frontalmente os que lhes dão guarida. Este Acre que eles hoje aí vêem já não é tão insuportável porque alguns acreanos, dentre tantos muito inteligentes, houveram por bem trabalhar para que nós nos desenvolvêssemos... E como temos nos desenvolvido... Isto aqui não é Rondônia, onde um grande grupo de apaniguados chegou, desde os anos 80, roubou o que podia carregar e o que não podia e, acima de tudo, deixou os rondonienses verdadeiros na mais absoluta pindaíba tendo, inclusive, de suportar a galhofa nacional. O caso veiculado pela imprensa acreana, segundo o qual uma empresa telefônica teria emitido comunicação interna proibindo que os acreanos fossem contratados, por não se encaixarem ao perfil exigido, é crime de preconceito racial e social no mais puro estilo.
Está coberta de razão a Deputada Perpétua Almeida ao rebelar-se contra atitude tão indigna. Na hora de formarmos fileiras na defesa dos justos de coração, todos estaremos lado a lado. Parabéns, nobre Deputada!
(José Cláudio Mota Porfiro)
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 13h26
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