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E os poderosos dão-se ainda ao esquecimento de que, segundo o poeta Horacio Guarany, uruguaio,
“Se se cala o cantor, cala-se a vida porque a vida é mesmo toda um canto. Se se cala o cantor, morre de espanto a esperança, (...) Afirmo, senhor ministro, que a verdade está morta. Hoje em dia, se jura em falso por puro gosto e nada mais. Enganam inocentes sem nenhuma necessidade e me falam de liberdade.”
Brutalizados, atônitos, bestificados, elegem o primeiro líder iconoclasta que lhes aparece à frente. E os exemplos crassos não faltam, desde Morales, el cocalero, a Sánchez, de Bermudez a Somosa. E os cidadãos comuns não sabem porque os fizeram esquecer que os falsos líderes de ontem é que inspiraram os populistas de hoje que não buscam remédios para os males sociais que assolam desde Yucatã à Patagônia.
Ora, irmãos! Que exemplo podemos tirar da Argentina, assolada desde mais de um século pela corrupção e pelo escárnio de falsos líderes que lhe jogaram numa falência econômica e social jamais sequer pensada. Por isto, conforme Violeta Parra, “Faz falta um guerrilheiro”:
De niño le enseñaría Lo que se tiene que hacer Cuando nos venden la pátria Como se fuera alfiler; Quiero um hijo guerrillero Que la sepa defender
Repito e vuelvo a decir, Cogollito de romero, Perros cobardes mataron A traición al guerrillero, Pero non podrán matarlo Jamás em mi pensamiento.
Violeta é chilena e este é o Chile dos vinhedos por entre os quais tanto sangue escorreu a mando de um carrasco da modernidade com ares de nazista tardio.
E o que dizem os maiores, os que estão lá em cima, Estados Unidos e Canadá? Ora, é salutar, para eles, que estes quintais da América Latina definhem ideologicamente ao ponto de, quem sabe, um dia, tornarem-se protetorados americanos como fez a Inglaterra com a Índia de Gandhi e Indira.
E o Brasil, que hoje parece querer respirar, ainda não passa de uma colônia de Tio Sam. Os avanços sociais existem, mas são aqueles permitidos por eles. Senão, é só observar o exemplo da educação brasileiras. O FMI e o Banco Mundial cobram, hoje, tão somente, dados quantitativos dos gerentes do nosso MEC. E estes, felizes, alardeiam que porcentagens altamente significativas de crianças estão sendo alfabetizadas, que os nossos adolescentes estão concluindo o ensino médio em grande número. Ora, senhores, a verdade é que as crianças não sabem ler, os adolescentes não sabem pensar e os universitários estão impedidos de subir aos patamares do verdadeiro conhecimento científico que lhes iluminaria os caminhos na busca da verdadeira liberdade...
Ora, irmãos! Os donos das Américas não tomariam medidas erradas. Se agissem de forma diferente, estariam eles financiando pobres pretos e brancos que hoje ainda não sabem a verdadeira raiz do mal e ainda não aprenderam a reivindicar, como os poetas que choram estas lágrimas de América. |