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Riquinhos e prejudiciais
O bólido que me serve de transporte está, já, a sessenta quilômetros horários. É um Ford EcoSport. Há curvas à direita e à esquerda. Sinto aproximar-se desta alma vulgar a vertigem própria de quem não é mais nenhum garoto... Melhor ir devagar. Os gêmeos lá de casa ainda têm três anos cada. Lembro do companheiro Ademir Sena. Certa vez ele houvera dito a mim que a velocidade já não combina com a idade dele que é mais ou menos igual à minha. Ao nos colocarmos ao volante de um carro, hoje, passeamos apenas... Já não há como ficar louco em delírio provocado pela velocidade do mundo moderno.
Precisei amadurecer, mas o tempo talvez me seja um tanto complacente, a olhos vistos. Nem sou tão velho. Fiquei meio esperto, só...
Agora, é outro dia de manhãzinha. Saio de casa a pé rumo ao Universitário. Caminho pela Nova Avenida Ceará. É hábito desde muito tempo uma ou duas atividades físicas diárias, durante a semana, e sempre umas cervejas religiosas aos sábados. Em frente à casa do Antônio Manoel, vejo retorcidas as grades de proteção da calçada alta. Por um instante, fico a imaginar o que quereria o louco fazer. Parece que ele tentou andar pela calçada, lá em cima, talvez bêbado. Certo é que riscou o paredão de alvenaria, quebrou o gradil e ficou dependurado com a Hilux novinha, certamente, ainda não paga pelo pai ou pelo irresponsável. O carrão ficou todo lascado. Sentiria uma grande pena, não fosse a certeza de que o ocorrido tivera como causa a falta de juízo de um retardado que pensa que o tamanho do pênis é proporcional ao tamanho da Toyota.
Há uns dias, estava a percorrer o mesmo trajeto em caminhada matinal, mais uma dentre mil outras vezes. Fui pelo lado do Tucumã e voltei pelo da Universidade. Mais ou menos em frente ao portal de entrada desta, um doido qualquer arremeteu um carro e quebrou uma árvore pelo tronco, em baixo, quase rente ao chão, e se evadiu.
Há um mês, foi arrancado um poste daqueles modernos que, segundo me disseram alguns especialistas da Ufac, têm o preço em torno dos seis mil e quinhentos reais. Arrancaram um outro próximo ao Distrito Industrial. E um outro próximo à Marcenaria do Israel. Deixaram, aí, inclusive, a cerca quebrada. Do outro lado da rua, também arrombaram a cerca. Há mais ou menos um ano, uma parada de ônibus foi destruída por um adolescente que andava aí pela casa dos cento e sessenta quilômetros horários. Há uns outros que passam com caminhões carregados por sobre as calçadas e as deterioram...
Na Via Chico Mendes é assim também. Muito parecido ocorre na Antônio da Rocha Viana, e no Parque da Maternidade, e na Gameleira, e no Mercado Velho, e no Arena da Floresta, e na Via Verde, e por aí vai... Em suma, eis o retrato do caos, senhores contribuintes e autoridades.
Pior é notar que na superior maioria das vezes os irresponsáveis são sempre alguns riquinhos, filhinhos de papai, talvez esfumaçados ou, quem sabe, cheirados, ou apenas alcoolizados em alto nível - nível superior.
Uma vez, segundo foi noticiado, quando Jorge Viana era governador, houvera sido inaugurada a novíssima Via Chico Mendes com as suas luzes verdes. Uma beleza! Um sujeito tresvariando de tão bêbado quebrou uma jardineira com um caminhão que só foi liberado pelo Detran quando os danos foram reparados pelo doidão. De novo, aplausos!
E agora? O que temos feito?
Meu caro Márcio Batista. A hora é essa. Apresente uma lei municipal segundo a qual o responsável por qualquer dano ao patrimônio público deverá responsabilizar-se pela reparação ao prejuízo, sem o que haverá multa equivalente ao valor do bem ou o carro (se for o caso) não será liberado.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 11h37
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