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Sem coerência
Há um enigma qualquer rodando feito piorra sobre a minha cabeça grande e chata. Ando desconfiado até de reza braba. Apesar do progresso verdadeiramente sustentável que temos alcançado, ainda há os sicários e aplaudidores do atraso que teimam em querer mal a esta terra e a esta gente. Por que os acreanos não podem brilhar? Dêem-lhes uma estrela apenas e aí vereis quantos talentos temos, de Francisco Mangabeira a Sérgio Souto.
É preciso ver que abaixo do sol de Deus, todos são iguais e as diferenças são meros traços físicos, apenas, até porque aos negros e mulatos de cá e de lá só faltam as oportunidades. Dêem-lhes uma boa instrução e aí vereis muitos Tiões Vianas reverberando no céu dos astros tornados presidentes de não sei quantos senados desta república índia tupiniquim.
Eis, então, que o repórter chegou, conversou direitinho, foi cortês a perder de vista, serviram-lhe café, suco e tapioca. Aí, enfim, o foca acercou-se da realidade barata e simples, e gostou do que ouviu e leu.
O Colégio Estadual Barão do Rio Branco, de ensino médio, foi escolhido para representar o Acre nos exames do Fantástico, cujos resultados foram levados ao ar no dia 11 de novembro de 2007, domingo, pela Rede Globo de Televisão. No site Globo.com ainda podem ser encontrados os resultados. Dos vinte e sete representantes de cada estado brasileiro, os alunos do CEBRB ficaram em sétimo lugar na prova de Redação e em décimo quarto na prova de Português. No cômputo geral, o citado colégio ficou à frente das escolas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo e de Brasília. O Mato Grosso foi o grande “lanterna”.
Agora mesmo, tivemos a felicidade de enviar dois alunos a Novo Hamburgo, RS, onde participaram de uma amostra de pesquisa científica denominada MOSTRATE. É realmente bom fazer parte da história dos meninos e meninas pobres das periferias de Rio Branco. Eles têm, sim, um ideal grandioso a cumprir.
Mas o moço, bom escriba, até que se prove o contrário, escreveu no título da sua matéria que o desenvolvimento do CEBRB foi pífio, apesar de, no meio do texto, reconhecer os fatos e dados acima descritos. E nós, agora, não sabemos se faltou a coerência, irmã da coesão, ao texto, ou se o moço leu erroneamente os resultados, ou se há a intenção deliberada de tão somente denegrir imagens de gente simples que faz do dia-a-dia, na escola, uma batalha constante na busca do bem comum que é a felicidade geral dos nossos garotos e garotas destes subúrbios nossos de meu Deus.
Viver em paz com os outros deve ser até muito bom, e eu aconselho. Ruim é não viver em paz consigo próprio por causas tão esdrúxulas quanto um preconceito ridículo ou um lamber de botas sujas quaisquer.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 13h19
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Não aprovo!
Não é preciso apenas ir à escola. É necessário viver a escola. Há muitos transeuntes pelos corredores. A maior parte é composta por alunos. Os demais são estudantes porque estudam realmente. No meio de tudo, há, inclusive, alguns professores estudiosos a respeito das melhores formas de transmissão do conhecimento... E isso é muito bom!
Tenho vivido estas realidades há vinte e cinco anos, no mesmo colégio, sempre à noite. É por isto que me vejo na obrigação de reprovar veementemente a forma como o debate no Colégio Estadual Barão do Rio Branco (CEBRB) foi conduzido, ontem, não por culpa do mediador, mas muito mais pela inexperiência de todos.
São cinco candidatos a diretor que, segundo combinaram antes, num primeiro momento, teriam direito a fazer duas perguntas a quaisquer dos competidores. E não deu outra: os questionamentos, em sua superior maioria, foram dirigidos quase que exclusivamente a uma única postulante ao cargo, a professora Meiry Ferreira, que, felizmente e para a salvação do debate, saiu-se com grande competência de uma saraivada de perguntas desconexas e que tinham por finalidade apenas atingir esta (acima citada), que é a atual diretora, em substituição ao professor Uélido Miranda, falecido há mais de um ano.
E é preciso ir mais longe. Há candidatos pára-quedistas que, há dois ou seis anos, deixaram de andar na escola e perderam o rumo das salas de aula. Como pode um professor deixar ao desamparo a sua oficina de forjar cidadãos?... Há um que fez acusações infundadas referentes à prestações de contas que apodreceram nos murais, mas o dito cujo não as viu porque estava sumido do hemisfério. Um outro se referiu às propostas de um plano - e tão somente um plano - como se estas fossem projetos que estariam, mas não estão sendo executados. É má leitura, ou estaria havendo a intenção deliberada de enganar os alunos e tumultuar a contenda?
Ora, senhores! São cinco mil reais a gratificação de um diretor de escola pública no Acre. Por isto, os nervos à flor da pele.
Pior é notar que os dois mais velhos - ditos mais experientes, e não são - têm propostas pedagógicas vazias, no dizer dos próprios alunos. Um terceiro é evasivo demais. Uma quarta, raivosa, fala como se estivesse mordendo as palavras...
Por isto afianço-vos que a quinta candidata talvez cometa algum pecado mínimo pelo excesso de perfeição e coerência dos planos. Realmente, enchem os olhos duas propostas que sonham com os sonhos dos alunos. A primeira estimulará professores aposentados e ex-alunos a fazerem parte da criação de uma equipe multidisciplinar de “amigos da escola” que colaborarão aos sábados como reforçadores do aprendizado. A segunda levará o grupo de professores do primeiro ano, junto com os alunos, para o segundo ano e, depois, ainda juntos, para o terceiro ano. Os dois projetos, no caso, têm em vista experiência já vivida no colégio cujo objetivo maior são os exames vestibulares da Universidade Federal do Acre.
Um outro projeto mexerá muitíssimo com os alunos noturnos que, opcionalmente, terão aulas antes dos horários normais: de Redação Oficial, no primeiro ano; Secretariado Moderno, no segundo ano; e Informática Aplicada, no terceiro ano, tudo com vistas ao mercado de trabalho.
As salas de leitura, segundo a Profa. Meiry, serão levadas a efeito uma vez por semana. Os alunos reunir-se-ão nas salas de aula e, em círculos e em voz alta, junto com o professor de Português, lerão os títulos exigidos pelo Vestibular. É claro que serão necessários um mínimo de quarenta exemplares que ficarão no Colégio para a rodada de leitura da semana seguinte.
E há projetos que colocam em prática teorias relativas às questões ambientais. Há a possibilidade da criação de um Jornal do CEBRB. Há planos para concertos da Orquestra Filarmônica do Estado do Acre... E por aí vai...
É realmente muito bom poder conviver com pessoas que compartilham dos mesmos ideais, sem a utilização de queixumes e querelas estúpidas que, desde há muito. fazem tanto mal às nossas relações.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 13h10
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