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E Deus fez a luz!
Segundo o livro do Gênesis, Deus fez o Céu e a Terra só para começar. A Terra era uniforme e inteiramente nua. As trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus boiava sobre as águas. Ora, Deus disse: Faça-se a luz! E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e a separou das trevas. Deu à luz o nome de dia e às trevas o nome de noite e, da tarde e da manhã, se fez o primeiro dia... Está nas Sagradas Escrituras!
Então, é conveniente partir do princípio segundo o qual as boas idéias são aquelas iluminadas por Deus, e têm sempre como autor pessoas que praticam o bem e buscam o melhor para os irmãos. Um humano qualquer, que não conviva segundo os mandamentos divinos, não estará capacitado ou não terá competência para o exercício das boas virtudes e das ações mais nobres que têm por objetivo a felicidade de todos.
Por isto, em verdade vos digo: faz-me brilhar a alma e me deixa muito feliz a idéia genial de um amigo de infância, ou de um velho professor, ou até mesmo de um jovem aluno.
A velha Xapuri dos meus sonhos de garoto e dos meus amores juvenis, hoje, dorme embriagada por essências e fluídos que a deixam entorpecida e triste e feia e quase agonizante. Há por lá um certo marasmo e um ar doentio talvez por obra e graça de espíritos malignos que teimam em ofuscar o fato de a minha cidade ter nascido e vivido desde muito tempo para dar à luz heróis, pessoas de bem, gente ordeira e fatos dignos das mais belas passagens da história do Acre e do Brasil.
Há de se lamentar, infelizmente, que muitos dos filhos nobres daquela terra bendita houveram por bem voltar-lhe as costas e esquecê-la. Eu não a esqueci e ainda a amo muito, apesar do medo que me ocorre ao pensar em visitá-la e ser recebido de forma não tão calorosa, justamente, pelo fato de andar de braços dados com a verdade e com os justos de coração que nunca pensam em mentir ou prejudicar a quem quer que seja.
São muitas as idéias boas, sim, mas a dúzia de pragas rogadas pelo velho bispo só agora se permitem ser cumpridas, depois de tantos dissabores causados por cidadãos não afeitos a condutas marcadamente éticas e exemplares.
Devo afirmar, antes, que nenhuma ação minha terá por finalidade a bajulação. Tenho luz própria e nada preciso provar a ninguém, porque já nasci feito e bem feito, homem digno e honrado, no Xapuri do Acre, como diziam os antigos.
A idéia a que me refiro vem da genialidade de um poetinha da bola e do Colégio Divina Providência, amigo meu, de nome José Bestene.
Pois bem! Disse-me um velho amigo - patrício - que estaríamos nós querendo manipular a administração ou o povo xapuriense. Grande engano! Gente de boa origem - como eu e como tantos da terrinha amada - não manipula ninguém. É oportuno até dizer que este moço, hoje presidente do Deas, foi o melhor dentre todos os secretários de saúde que o Acre já viu desde sempre. Naquele momento foi dado um grande salto de qualidade e é por isto que os atuais dirigentes do Estado confiam-lhe missões sempre difíceis de ser cumpridas... Mas o moço vai em frente e faz bem feito.
Então, por que não permitir que um cidadão portador de um currículo tão progressista e honesto não se agrade da idéia de chamar para si parte da responsabilidade para com o futuro do povo da nossa terra, nosso berço de honra e glória? Por que não aceitar que um homem com tantos predicativos sonhe ser um dia deputado estadual a representar um município que hoje não tem nenhum? Sejamos mais uma vez inteligentes!...
A Professora Raimunda Euri Gomes de Figueiredo está sendo por nós apontada como a possível e a futura prefeita de Xapuri. Ela - por sua conduta sempre serena e séria, por seu amor à terra que a viu nascer, pela amizade que tem de oito entre dez xapurienses de boa origem, pelos favores que fez à minha e a centenas de outras famílias, desde os anos cinqüenta ou sessenta - é a luz que se nos apresenta em meio ao caminho pedregoso e escuro que há de levar-nos aos melhores dias que aquele rincão nunca viu. Deus há de querer!
Alguns colocariam a idéia em dúvida, devido aos setenta e seis anos da minha melhor professora de Língua Portuguesa. Então, eu diria que, segundo Platão, o filósofo grego, a verdadeira maturidade intelectual só é alcançada na oitava década. Em outros termos, só se é filósofo real e só se consegue pensar equilibradamente quando se tem oitenta anos saudáveis, como os dela.
Ademais, seria bom até traçar um perfil da futura administração municipal. Sou da idéia segundo a qual haveremos de trabalhar a partir de uma administração colegiada. Este pequeno grupo de xapurienses poderá ser formado por pessoas marcadamente equilibradas e que tenham um passado de trabalho honrado. Eu, se fosse o caso, confiaria na competência comprovada de um moço chamado Andrias Sarkis, superintendente do Basa por oito anos, que cuidaria da parte da administração e das finanças. Confiaria num engenheiro civil, com especialização em urbanismo, o Doutor Jairo Salim, professor da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), Campus de Ilha Solteira. Convidaria o companheiro Raimundão Mendes de Barros para cuidar dos problemas relativos ao meio rural... E há médicos como o Wagner Bacelar, o Carlos e o Gilberto Ferreira, dentre tantos. E há economistas, como o Carlos Estevão Ferreira Castelo. Há jovens advogados cheios de vontade, como o Éden Barros Mota e o Thales Menezes. E há professores com um nível de formação bem significativo...
Este que vos escreve, inclusive, assume, aqui, o compromisso de trabalhar em qualquer área, inclusive e muito especialmente, na de projetos em geral que tenham como origem os setores afins do desenvolvimento de Xapuri.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h17
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