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Impressões gerais
 

Sementes da dignidade

         Nós não conseguimos pensar o futuro dos nossos filhos sem exageradas doses de emoção aliadas a generosas porções de razão. A cada passo dado rumo ao desconhecido, temos nos alimentado de uma esperança pautada no real, mas sempre regada a lágrimas, suores e muito amor. Quanto amor!

Por isto, de antemão, é preciso reafirmar enquanto bastante louvável a iniciativa de boa parte da classe média que se preocupa, sistematicamente, com o crescimento intelectual das novas gerações. Conforme a crítica marxista, elas têm conseguido, não sem algum esforço, tomar parte significativa no destino das instituições sociais e das nações como um todo. Deixando os críticos fazerem o seu papel histórico, com certeza, temos trabalhado com afinco a formação dos nossos filhos com a finalidade de que eles façam bem feito o que for mais conveniente e de maior valia para o futuro da civilização.

Ademais, é bom notar que uma outra parte desta casta de renitentes e promissores, formada pelos mais moderados e sensíveis, busca, também, o aprimoramento dos setores menos favorecidos da sociedade, apesar de os governos nacionais, na maioria dos casos, não tolerarem, ou até mesmo combaterem, este tipo de intervenção social, para eles indevida, uma vez que as cabeças pensantes, conforme alguns teóricos do absurdo, ainda devem continuar a brotar em terrenos áridos, como muitas vezes é o caso das elites dominantes, cujos filhos pensam pouco, ou não pensam, e levam as polpudas heranças ao vazio.

         Segundo observou um caminhante ao meu lado, o professor Paulo Roberto de Oliveira, concludente do Curso de Filosofia, “é importante para os governos do terceiro mundo que os excluídos continuem exercendo o papel de massa de manobra.”

         É dentro deste viés teórico que busco encaixar as diretrizes básicas do Colégio Meta. Os nossos moços e moças, filhos e filhas de famílias formadas essencialmente por funcionários públicos deste Estado, têm conseguido os seus lugares ao sol desta terra benfazeja graças aos esforços ingentes de um grupo que veio para fazer bem feito. (É claro que eles ganham dinheiro, mas investem na terra e fazem um trabalho educacional primoroso. Muito mais dividendos são auferidos por colégios como o Santa Marcelina, em São Paulo, e o Santo Agostinho, no Rio de Janeiro.)

Segundo penso, é bastante coerente e até de utilidade pública, hoje, divulgar para um número maior de pessoas, através deste veículo popular de comunicação, em síntese apressada, a mensagem do professor Marcos Méier, psicopedagogo, em conferência proferida na última terça-feira, no Teatro Plácido de Castro, sobre o tema Como desenvolver a inteligência do seu aluno ou do seu filho: os fatores do desenvolvimento emocional e cognitivo. Mesmo sem a autorização expressa do conferencista, senti-me no dever de fazê-lo, enquanto professor e enquanto formador de opinião destas comunidades da Amazônia ocidental.

Nada é mais válido, nos dias atuais, que as observações de especialistas que pautam toda uma vida em estudos que dizem respeito à criação dos nossos filhos. Não que existam fórmulas prontas. Elas não existem. Cada caso é um caso. Mas a coerência dos estudos científicos aponta rumos e caminhos bem mais fáceis de trilhar. Segundo o conferencista, “devemos deixar que as crianças parem de ser alunos e passem a ser autoras a partir da luz dos educadores”.

Assim, é oportuno considerar, aqui, algumas das ponderações do conferencista, para que outros pais e professores tomem conhecimento delas.

Os contra valores do mundo moderno são hoje divulgados pela mídia e nós precisamos levar nossos filhos a perceberem os perigos que rondam. Tendo em vista argumentos como este, é necessário torná-los inteligentes. É conveniente detectar fatores que tenham por finalidade desenvolver a inteligência, como os estímulos externos tão bem exemplificados hoje por instrumentos como a internet, como as bibliotecas reais e virtuais, como os programas de informática, como as revistas, dentre outros. Convém levá-los a propor e conquistar desafios, a resolver problemas e a superar dificuldades... Infelizmente, aqui devemos reconhecer enquanto bastante significativo o número de pais negligentes, que não têm uma hora para um contato maior e mais freqüente, que abandonam os filhos à mercê dos ventos negativos trazidos por uma época em que o tempo dita as regras de uma convivência social que prejudica o bem estar das famílias. Da mesma forma, somos obrigados a observar a existência de filhos super protegidos, que não são desafiados e, por isto, não alcançam a autonomia pretendida, o que elevaria os níveis de inteligência. Em suma, a negligência é tão prejudicial quanto a super proteção.

É pelo fato de estarmos sempre tomando os problemas dos nossos filhos como se fossem nossos que eles têm dificuldade para alcançar esta tão pretendida responsabilidade com liberdade e com limites. Bom será o dia em que os nossos adolescentes haverão de proclamar: se fiz foi porque tenho liberdade para fazer, mas posso assumir todas as responsabilidades inerentes à prática da minha ação.

Um dado muito interessante trata da memória de curto prazo. Esta é ativada na sala de aula através das explicações dos professores e da execução dos exercícios e outras práticas. Depois, é exercitada nas lições de casa. Enfim, vem o estágio mais importante, em que a memória de longo prazo é ativada pelo sono, à noite. Por isto, a Organização Mundial de Saúde recomenda que, sob nenhuma hipótese, a nenhum adolescente será recomendado passar mais de duas horas ao computador. Há problemas posturais, de circulação, de inibição de fatores como a escrita, dentre outros. É claro que um garoto que fica por horas a fio à frente de um monitor, é psicologicamente não socializável e fisicamente atarracado.

É aconselhável cultivar a auto-estima, um remédio infalível para a saúde mental. Se uma criança ou um adolescente gostam de si enquanto seres humanos que são, logo reconhecerão nos demais as possibilidades de um contato onde sejam preservadas a cordialidade, a compreensão e a solidariedade, esta última, nos dias atuais, tão desestimulada pelos contra valores da cultura ocidental. Na verdade, temos criado os nossos rebentos para uma vida marcada pelo egoísmo e pelo desamor.

Por razões diversas, como as acima citadas, é imprescindível investir em amizades que possam ser consideradas verdadeiras. Os amigos dos nossos filhos devem ter valores parecidos com os nossos. A partir das equipes de estudos que são formadas por ocasião dos trabalhos escolares maiores, os próprios alunos se encarregam de alijar aqueles que não se relacionam convenientemente com os demais. Por isto e por muito mais, o grupo deve ser do bem.

É marcadamente necessário levar os nossos filhos e alunos a tomarem iniciativas, sempre, porque nós assim o fazemos. A partir da puberdade, ter atitudes e resolver os próprios problemas lhes levam a um estado de satisfação experimentado porque eles já estão se tornando autônomos em suas tomadas de decisão.

De bom proveito é gastar sempre mais tempo com os filhos. É ter uma hora para abraçar-se e jogar-se com eles ao chão (sobre almofadas, é claro) para que, aí, seja percebido o valor de uma amizade como tal. É ir ao futebol. É participar das atividades na escola e no clube. É dizer eu estou aqui e sou o teu melhor amigo.

Enfim, são preponderantes o afeto, as críticas e os elogios. Porém, que os afetos para com os adolescentes sejam guardados para casa, e nunca os beijemos no portão da escola. Que as críticas jamais sejam feitas em público. Que os elogios não sejam exagerados e não fujam, em hipótese alguma, da realidade dos fatos.  

Em verdade, há que deixar muito claro um fator. Para colher dignidade, é preciso que as sementes representadas pelas palavras desta síntese sejam lançadas no terreno fértil dos nossos sonhos reais, junto com os sonhos dos nossos filhos que, se ontem crianças, hoje são quase homens e mulheres de futuro; ou, se hoje na primeira infância, amanhã serão adolescentes aprendizes da liberdade com responsabilidade.

Esta é uma homenagem aos trinta anos do Colégio Meta, enquanto ex-professor da casa e enquanto formador de opinião desta minha sociedade tupiniquim que ainda precisa, e muito, de mais sonhadores e mais aventureiros bem intencionados que possam aqui chegar para nos nutrir de tantos sonhos e de tanta realidade. Parabéns a todos!



Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 11h07
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