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O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE Capítulo XIII De repente, a luz! A cada instante desta vidinha insana, mais recrudesce em mim o desejo pela aventura, pelo desconhecido, a vontade de infiltrar-me no meio desse verde que, vagarosamente, se descortina a partir de uma tira da floresta ao longe, lá no horizonte perdido. Tenho pensado em como seria percorrer aquilo tudo - toda a Amazônia - no lombo de um cavalo veloz, desses que quase voam, sem me dar conta do tamanho deste País gigante pela própria natureza. Divago por mais de meia hora, ali, de pé, recostado ao tombadilho da embarcação que agora apenas balouça, levemente, parada, ao sabor de marolas que se sucedem incessantemente. Aparece por ali Petrônio Rodrigues, o moço de convés. Acende um cigarro forte, de palha de milho, passa a mão na cabeça já quase grisalha, ajeita a desgastada boina branca de feltro, olha para o mar, meditativo. Talvez esteja pensando no reencontro com os seus familiares. Interrompo-o nos seus pensamentos sisudos. Falo-lhe sobre as divagações em torvelinho que fazem moradia na minha cabeça atroz: - Mestre, em quantas horas se pode chegar a Manaus em cima de um bom cavalo alazão? São quantas léguas daqui lá? - Você está é besta, rapaz! – Responde em português muito bem articulado o embarcadiço. – Melqui! Em primeiro lugar, por aqui, as distâncias não são medidas desse jeito. É completamente diferente... Chega-se a Manaus em sete dias porque se viaja de subida pelo Rio Amazonas. De lá para cá, são três a quatro dias, porque a viagem é de baixada. Depois, a cavalo é impossível devido a enorme quantidade de rios caudalosos incontáveis, lagos imensos, matas submersas, cachoeiras intransponíveis. Ademais, no primeiro trote, a partir da primeira pancada da pata da montaria, já estariam à espreita duas ou três onças maçarocas gigantescas, de unhas e dentes que mais parecem facas prontas para serem enfiadas na barriga do trotador ou na garganta do cavaleiro. Fora as cobras, aranhas, insetos, jacarés, dentre outros, tão perigosos quanto os macacos gogós de sola, do tamanho de um rato pequeno, mas com força e habilidade suficientes para levar ao inferno um homem forte, como vosmecê, posto que visam apenas partes vitais do corpo humano, como o rejeto ou a garganta, o que faz a vítima esvair-se em sangue em menos de quinze minutos... É, meu filho! Não é à toa que muitos chamam isso aqui de inferno verde. É muita água, muito chão, muita doença, muita dificuldade. Para se chegar à Bolívia, então, com muita sorte, sem nenhum problema de prego nos motores, são quase três meses de embarcação de médio calado, a partir do porto de Belém. Este é o início da tarde do sexto dia. Então, o Comandante Homero Melo, homem de cara enjoada mas pacato, anuncia nos aproximarmos da foz do Rio Amazonas. Estamos a umas oito milhas náuticas de Marajó, ou mais de doze mil metros... Ao longe divisamos pedras. É que a maré estará baixa até, mais ou menos, nove da noite. Sopra um vento seco e quente. Segundo os mais experientes, são coisas muito próprias do clima da hiléia. A partir das cinco da tarde, já nos preparamos para o pernoite, ainda em mar aberto. Amanhã de manhãzinha é que entraremos na baía de Guajará, isto porque é muito grande o risco de o vapor ir a pique, em vista dos arrecifes que podem lhe avariar o casco. Desde sempre a chegada a Belém foi assim, cercada de todos os cuidados. É só pela manhã, cedinho, que a maré está alta e permite que as adjacências de Marajó sejam contornadas e, assim, se chegue em segurança ao Cais do Ver-O-Peso, o tradicional porto paraense. Em dez minutos, dormi sono profundo. Sonhei e estive em meio a paisagens bastante diferentes, mas nítidas, todas. Do alto de um despenhadeiro conversava com um sujeito alto, branco, louro que me chamava de amigo. Era Gabriel, o Anjo que, junto de mim, olhava para um cenário dantesco que se desenhava lá embaixo, num vale seco por sobre o qual voavam grandes aves de rapina muito parecidas com os pterodátilos do tempo dos dinossauros. Havia fumaça e fogo e além, muito além, erguia-se do mar vagalhão gigantesco que, segundo o anjo amigo, inundaria todas as cidades da terra, inclusive a Fortaleza e o Baturité querido. Por trás do nosso ponto de observação, furacões muito intensos revolviam a terra sem vida de todo o sertão. Eram tornados devastadores que jogavam a Igreja do Canindé para o alto. Uma seca catastrófica assolava o Amazonas e o Pará. Inundações maciças destruíam as plantações à beira dos rios Nilo e São Francisco. O mar subindo e inundando cidades e desaparecendo com ilhas e países. Dezenas de milhões morrendo de fome. Pragas atingindo áreas agrícolas. As calotas polares derretendo totalmente. Ondas de calor sufocantes. Agora, o navio tinha velas enormes e rasgadas, o casco avariado. Havia gente morta e catinga de carne podre e fumaça. Presenciamos o apocalipse ali mesmo, a partir da minha cama de campanha, com os olhos num Cristo com as mãos espalmadas, como se dissesse basta, e os quatro cavaleiros sobre imensos cavalos que relinchavam alto, como trovões em agudo, empinavam, corcoveavam e soltavam fogo pelas ventas. Uma coisa de doido. Eram quatro da manhã, mais ou menos. Acordei sobressaltado. De um cangapé fui ao chão e quase caio n’água. Estava suado até os cabelos. Espantei algumas pessoas devido o baque no chão de madeira do navio. Houvera sonhado com o juízo final. Havia fogo e fumaça. Depois, o fim do mundo já era através da subida das águas que inundavam o sertão e subiam a Serra do Baturité... Ô xente! Às cinco, as duas âncoras são içadas sem nenhuma pressa. Já é quase dia, apesar de o sol ainda não mostrar os seus primeiros raios. É um belo dia de janeiro. Dia vinte. Segundo o Mestre Homero, dia de São Sebastião. Falo em voz alta: - É esse Santo que está me dando as boas vindas no meu novo lugar, na minha nova terra, onde hei de plantar e colher uma fortuna espalhada em sabedoria, esforço, boas amizades, grandes amores, e tudo o que por aqui haverei de conseguir de bom! Com a graça de Deus Pai Todo Poderoso, hoje mesmo entrarei pela primeira vez em três igrejas e pedirei dos santos tudo o que mereço, se é que mereço alguma coisa. Agora, o céu se tinge de prata e a baía de Guajará está que é uma beleza, também prateada. Apontam o estreito de Breves, segundo todos, sempre muito perigoso. Mas esta é a hora adequada, cedo da manhã... Avançamos, devagar e sempre, com os motores a média velocidade. É a prudência dos marinheiros a grande conselheira. É pleno dia, mas prefiro o fiat lux bíblico. E fez-se a luz! Estou rejubilado, feliz comigo mesmo pela escolha. Lembro do início da viagem. Faço analogias e vou pensando como se fosse noite. Seria um tanto diferente. Em ocasiões em que se chega por mar, aos poucos, as luzes da cidade foram aumentando de intensidade, ao contrário de Fortaleza, quando diminuíam até sumirem... Não se trata de um porto marítimo, não. Mas a imensidão do rio me leva a crer que atracaremos de uma forma parecida, ao sabor das ondas. As águas não são tão cristalinas, mas limpas...
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 17h45
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Estou em Santa Maria de Belém do Grão Pará, este, o verdadeiro nome da capital da província paraense. Surpreende-me o tamanho da cidade. Do tombadilho do vapor, já a avalio. Há iluminação elétrica das boas, em vista da existência de postes coloniais e lâmpadas modernas. Há um bonde movido a eletricidade. Os logradouros públicos são largos e forrados de pedra antiga. Praças e jardins enfeitam aquela parte da urbis encantadora. Os casarões da rua do porto são revestidas por azulejos portugueses talvez de mais de século. As calçadas estão apinhadas de gente. O cais do porto possui um pavilhão grande onde estão os escritórios, em cima e, embaixo, há um restaurante, parece-me, de luxo, onde pessoas de paletó bebem àquela hora do dia, já esbaforidas pelo calor equatorial. Lá em cima, no alto de uma pequena elevação, diviso letras grandes no pórtico de uma edificação onde está escrito Cervejarias Paraenses. Faz um calor dos diachos. Espalham-se odores de todos os tipos. Estou realmente boquiaberto. A primeira impressão é a que fica e a minha não poderia ser melhor. Antes de pôr os pés na terra firme, já estou perdidamente apaixonado por Belém. Aqui, com a certeza da minha alma e a ajuda de Deus, haverei de construir o meu futuro. O espaço de meio metro entre a borda do navio e a beirada do cais é, para mim, como foi para César, o imperador romano, a travessia do Rubicón. Alea jacta est. A sorte está lançada. A partir de agora, sou eu e eu. Benzo-me. Rezo uma Ave Maria e um Pai Nosso. Depois, então, sapeco no ar: - Do afogado, o chapéu! De agora em diante, ou rico dono do engenho, ou pobre puxando o bagaço da cana! Arre égua! São nove da manhã. Desabotôo o paletó, arranco-o e o atiro ao ombro deixando mostrar a camisa do mais fino linho bordado e a gravata de musselina inglesa. Esperarei a malota de couro que me trará Zé do Aprígio. Em trinta ou quarenta passos, sem exagero, já estou sentado a uma mesa onde peço uma cerveja e uma boa poção do camarão tão propagandeado pelo amigo Petrônio Rodrigues. Ninguém é de ferro! Tomar umas e outras e se comportar direitinho, como manda o figurino, também é de Deus. Pudera! Fui o primeiro a desembarcar, logo depois do ajudante de ordem que atara a corda ao balaústre de ferro. Agora, desce toda a dita primeira classe, montada na sua arrogância marcadamente brasileira típica dessas castas que vêem a miséria, fazem a desgraça e preservam a prepotência através da qual julgam a si mesmos acima do bem e do mal. Olho o populacho nordestino murcho da terceira classe e os vejo enquanto vítimas dos arroubos de uma camada de pequenos e médios burgueses que os querem ver assim, sempre subjugados. As poucas famílias e os solteiros da aventura são separados em lotes que pertencem a diversos patrões e seguirão para destinos diferentes. Como me disse o Petrônio, chegarão aos grandes seringais, praticamente, com a roupa do corpo e a alma subjugada e pronta para ser imolada pela força do dinheiro que, aqui e agora, já lhe tira o suor e o sangue, porque o calor e a umidade são intensos e as dívidas começaram já no Ceará. Como diria o Omena, um cabra como um doido desse qualquer que se aventura numa viagem dessas, para ir e nunca mais voltar, não é apenas um pobre qualquer, é uma espécie de Chico lascado; isso, é claro, porque ele nunca viu o cu da cotia assoviar meio dia em ponto, no dizer dos de cá, quando a fome tarada aperta a goela e rói as tripas grossas que já estão a engolir as finas. Eu nunca pensei, mas o movimento de passageiros é espantoso. É gente sem eira nem beira que vai e que vem de todo canto e para qualquer lugar. O barulho é celeuma. Pinga aqui, pinga acolá. É ameaça de chuva que cai a cada hora, para espanto da minha gentalha humilde e pequena, crianças que nunca viram uma gota d’água cair do céu. Um vai para um tal Mazagão, num tal Território do Amapá, que eu sequer lembrava da existência. Outro vai para o Xingu. Mané Cipó e Maria Né, sergipanos de Santo Amaro das Brotas, cegos de guia, (imagine!) estão indo para o Seringal Apiacá, no rio Guaporé; Deus que imagine onde fica. Vão pedir esmola a quem? Seria melhor ficar em Belém e morrer de fome por aqui mesmo. Minha Nossa Senhora dos Pobres! Ajudai! Afeiçoara-me aos retirantes. Como já abordei, são histórias por cima de histórias, todas, muito pra lá de tristes. É que o calor me afogueou o espírito e uma garrafa da bebida gelada me deixou em estado de compaixão mórbida, principalmente, porque, agora, avisto, de longe, o Tibúrcio, pai da menina morta e atirada ao mar. Em outro pelotão, ou turma de renegados da sorte mesquinha, vislumbro os dois matutos para quem escrevi as cartas. Mais perto está o Zé do Aprígio, que agora já manda, está bem vestido, barbeado e grita com os demais, plenos pulmões e com um buchinho já querendo ser proeminente... É que deram-lhe comida... Pobre é desse jeito mesmo. Fica superior assim que enche a barriga, não imaginando que amanhã de manhã poderá estar jogado na sarjeta dos capitalistas, roendo o osso e comendo os restos que caem das mesas dos ricos, desempregado. Tento não ver a cena, mas não tiro o olhar porque não quero ser mais um que nada sente quando a desdita da minha gente bate nesta cara de matuto metido a besta, eu. Góis e Castro, o mestre ranzinza do Liceu Cearense, sempre deixava escrita alguma coisa apócrifa nas lousas das salas de aula. Uma vez, então, anotei uma frase que, ainda hoje, lembra-me deveras a cara dele. A mensagem diz mais ou menos que, do hábito da resignação nasce sempre a falta de interesse, a negligência, a indolência, a inatividade, e quase a imobilidade. Não é o meu caso. De jeito nenhum. Nunca esquecerei as cenas daquele mercado humano em plena atividade financeira. Isso seria regalar-me com a miséria do irmão. Jamais hei de me contentar com essa devassidão do humano levada aos níveis da exploração e da iniqüidade com fins os mais escusos e escabrosos possíveis. Sim, eu lutarei com todas as minhas forças e haverei de arranjar meios que me levem à denúncia dessa página extravagante da história do meu triste povinho do Ceará do Brasil.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h53
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A indústria das indenizações A decadência do humano está vergonhosamente caracterizada por práticas que atropelam todos os níveis da decência. Os justos são caçados pelos predadores terrestres e aves de rapina que lhes querem o sangue e as vísceras aqui representados por uma série de meios e truques criminosos que passam, inclusive, pelos que urdem esta famigerada indústria das ações indenizatórias que busca arrancar dinheiro daqueles que, como este cronista, acima de tudo, combatem a burla, a contravenção, o crime e todos os males que assolam as boas relações em sociedade. Vieira, o padre, deixou-nos algo muito parecido com as palavras a seguir. Segundo ele, entre todas as injustiças, nenhuma clama tanto ao Céu como as que tiram a liberdade aos que nasceram livres e as que não pagam o suor aos que trabalham. Em outras palavras, de tanto clamar em favor dos direitos alheios, de tanto aplaudir as ações da justiça quando se fazem eficazes, enfim, vejo-me preso a uma calúnia que me rouba o sono, tira-me o sossego e fustiga-me a alma agora subjugada à pouca possibilidade de argumentar em favor da minha própria inocência, esta, sim, aos olhos dos julgadores um tanto inverossímil, até que eu consiga provar o contrário. Fato é que aquele que urdiu essa trama contra um justo usa de expedientes tão nefastos porque há sempre a possibilidade de ganhar um dinheiro a mais à custa de esforço zero. Certo é que, aos cinqüenta e dois anos, estreei perante a autoridade policial, no dia 07 de julho próximo passado. Tenho por hábito ir à missa dominical à noite, acendo velas para as almas, visito enfermos, pratico as boas ações recomendadas pelos formadores da minha personalidade, ajudo a amigos e parentes até em termos financeiros, mas nunca estive numa delegacia. Houvera recebido no dia anterior um documento denominado intimação. Não houvera ficado intimidado, todavia. Apenas surpreso. Afinal, enquanto ator social e formador de opinião desde tantos anos, arranjei tão somente inimigos mínimos em vista de alguma má palavra por mim escrita em jornais desta província. Foi o que disse eu, depois, ao Delegado. A atividade de escritor às vezes me liga ao jornalismo, e este, pelo fato de a minha ética ter sido colocada sempre a toda prova, me faz não apenas enxergar as verdades, mas torná-las públicas, a partir de onde se ergueram alguns desafetos, isto, há uns oito anos ou mais... Não. Eu não coleciono desafetos. Não tenho inimigos declarados, ou conhecidos, ou identificados. A minha história triste tem início entre 02 e 22 de janeiro de 2008, período em que estava em férias com a família e um casal de amigos, Márcio e Rute Shokoroski, na cidade de Cabo Frio, Estado do Rio de Janeiro, onde, inclusive, encontrei o Procurador de Justiça Félix Almeida de Abreu e o Prof. Raimundo Angelim Vasconcelos, Prefeito de Rio Branco, dentre ouros. O meu carro, um Ecosport, ficara na garagem da minha residência, mas, por um infeliz acaso, ou por muita coincidência, ou por obra de algum mago, bateu em uma moto na Via Chico Mendes, se evadiu do local e deixou estirado no chão o motociclista que, por muito pouco, não veio a óbito, exclusivamente para a minha sorte que não é tão madrasta. Não quero nem aventar a possibilidade da morte do moço da moto. Chamado para esclarecimentos sobre a ocorrência, tocado, já, por um espírito investigativo herdado das lides literárias e jornalísticas, tomei a liberdade de fazer uma série de averiguações e constatações lógicas. Ao fim e ao cabo de vinte e quatro horas - não mais que isso - fiquei estarrecido porque observei estar sendo usado por pessoas sem nenhum escrúpulo ou condescendência, mas um tanto amadoras, em vista das lacunas deixadas muito claras, inclusive, para a autoridade policial. É por isto que passo a aventar as possibilidades e conclusões a seguir: i. Empreendemos viagem, eu e minha esposa, a Cabo Frio, Rio de Janeiro, no período de 02 a 22 de janeiro de 2008. Logo, em 13 de janeiro, dia da ocorrência, não estávamos em Rio Branco. ii. O carro EcoSport não saiu da garagem porque os números do velocímetro não foram alterados no período em análise. - Um vizinho meu, o Sr. Francisco Vilmar, cognominado Gaúcho, ficou de dar umas ligadas no carro, a cada dois dias, para que preveníssemos um problema que sempre ocorre em carros maiores que a pouca potência de bateria, isto, a partir de um ano de uso da mesma. Acontece que, já no dia 04 de janeiro, nem dando chupeta, o carro funcionou mais. Só com a minha chegada é que adquiri nova fonte de energia. (O moço da loja trouxe o artefato no carro dele porque o meu não saiu do lugar.) - As senhoras Maria Madalena Oliveira de Freitas e Cirlete Nascimento, minha tia e nossa secretária, respectivamente, são de extrema confiança, não sabem dirigir e, por nunca terem possuído carros, ou por excesso de zelo, jamais deixariam alguém apanhar as chaves, uma vez que estas estavam sempre na bolsa da primeira, isto, com medo de que as perdessem. - Na minha chegada, em 22 de janeiro, não havia nenhum arranhão sequer na lataria do carro. Pela gravidade do acidente, haveria sérios machucados, com certeza, isto, principalmente, no lado direito do veículo. - É oportuno destacar dois erros presumíveis por parte do órgão estatal - o Detran ou a Ciatran - que se omitiram ao não fazerem as devidas buscas ao veículo evadido, logo no outro dia, na segunda-feira e, aí, sim, constatariam que o EcoSport estava intacto e sem bateria. Afinal de contas, havia um cidadão numa UTI que poderia vir a falecer e, agora, hoje, o imbróglio poderia ser ainda mais prejudicial se tudo tivesse acontecido na realidade. - Por outro lado, por que só depois de dezoito meses buscam-se os esclarecimentos? Certamente na presunção de o acusado não mais reunir provas de sua inocência. - Além do mais, em vista da gravidade da alegada ocorrência, o prontuário e os registros do órgão controlador do trânsito teria feito constar, dentre outras sanções, no mínimo três multas, além da prisão do carro, em casa, posto que o endereço é o mesmo desde dezesseis anos. Lá, a situação constatada é outra. Nada consta. - Para que tudo fique ainda mais obscuro, só agora, um ano e seis meses depois do presumido fato, é que tomo conhecimento do expediente cuja finalidade maior é esconder um verdadeiro acinte contra a probidade, o golpe da indenização. - Há a possibilidade de, por um infeliz acaso, um dos populares (segundo o acidentado), talvez até acometido pelas possíveis seqüelas da ingestão alcoólica, às duas da manhã, ter anotado a placa de forma incorreta, o que não é impossível posto que, pelo nível da batida, o carro estaria vindo em velocidade e se evadiu do local, além de já ser alta madrugada, com nevoeiro à época de inverno, o que poderia ter levado a uma possível ilusão de ótica, inclusive, no que diz respeito à cor do carro, não constante no boletim de acidente de trânsito e, mesmo, à marca e modelo. - Vive-se, hoje, um momento em que há sempre uma pessoa querendo levar vantagem em prejuízo da outra. Há essa possibilidade porque a indústria das indenizações está vicejando nesta terra, mesmo na eventualidade de o acidentado estar sendo usado por alguém de má índole ou influência. - O carro ficou na garagem, parado, sim, e não saiu dali. Porém não é verdade que o tenham conseguido vê-lo porque os nossos muros são altos e os portões cerrados e vedados, o que não permite a visão, principalmente, devido a precaução das duas pessoas acima citadas que, por medo, não os abririam tão facilmente. - Há a possibilidade de se fazer uma varredura ou checagem nos computadores do Detran e verificar quais carros - mesmo que não sejam EcoSport - têm placas como MZV, MZN, MZY, 9979, 9997, 9991, 6997, e assim por diante. - Jamais me aventuraria à defesa de quem se evade, mas é conveniente observar que a Via Chico Mendes é preferencial em relação ao acesso ao antigo aeroporto. Se o carro vinha rumo ao centro da cidade, estaria em baixa velocidade, se comparado ao condutor da moto que invadiu a preferencial e se chocou com a lateral do veículo, conforme aludido no documento do Detran. O motociclista, esse, sim, é que cometeu erro mais grave, pelo excesso de velocidade, inclusive, porque transportava uma outra pessoa. - Num caso como esse, em qualquer circunstância, é muito difícil provar a inocência que, aí, é apenas suposta pela autoridade, todavia, certamente, outra pessoa cometeu o delito e não cumpriu o seu dever ao não dar atenção à vítima e, agora, talvez se vanglorie de ter levado vantagem em cima de alguém, independentemente da vida ou da morte da vítima ou vítimas. - Importa observar que o indivíduo que armou essa arapuca, ou urdiu tal tramóia, escolheu que escolheu que escolheu uma data, mas findou por optar por um dia aziago, nefasto (para ele) o 13, e mais: para a felicidade minha e dos demais probos deste meu mundinho atroz, acabou por cair exatamente numa data em que eu estava viajando, isto, num ano em que a Universidade Federal do Acre não me enviou a nenhuma viagem de trabalho, como de costume. (Em 2009, já viajei quatro vezes.) É preciso, enfim, fazer registro muitíssimo importante. A serenidade do Dr. Alberto Dallacosta Filho, delegado de polícia, e a competência do Sr. Adson José Bezerra Pessoa, escrivão, são dignas dos aplausos da comunidade. Atores sociais como estes é que deixam ainda cheios de esperança os cidadãos de bem deste País. Ademais, resta e importa muito buscar refrigério para a alma maltratada e vilipendiada nas palavras que inspiram os homens de bom coração. Está escrito no Salmo 84 das Sagradas Escrituras que A verdade e o amor se encontrarão, A justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus. Os justos, com a ajuda de outros não menos justos, haverão de lutar muito e sempre vencer, na graça de Deus!
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h47
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A clientela Fui instado a tecer considerações acerca de uma realidade que me afeta o ser. Talvez se faça em mim visceral. Observei que, depois de tantos quantos séculos de experiência e trabalho cansativo, os caminhos se fazem cada vez mais difíceis de trilhar porque os obstáculos abundam e são sempre numerosos, mas a pertinácia brada a plenos pulmões. – Olha eu aqui! – É a teimosia que grita. Vem-me à lembrança, então, o Marco Antônio, não um qualquer, mas o grande imperador romano, aquele que caiu de quatro por Cleópatra, a egípcia. Observo que, se tenho dificuldade em alcançar um objetivo, não penso logo que este seja impossível, mas avalio-o no quanto me é possível e natural buscá-lo. Julgo, antes, que todo e qualquer obstáculo também pode ser ultrapassado por mim. Logo eu, tecido do mais fino cal e da mais sólida pedra. De ferro! Tenaz!
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h37
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Então, as aulas do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, desta minha bela cidade, tiveram início em princípios de março de 2009, assim que foram feitas algumas averiguações que culminaram em diversas fatores conclusivos, aí chegados através de um teste que diagnosticou as reais possibilidades de a clientela dos terceiros anos D e E, do ensino médio, empreenderem vôos mais altos que pudessem significar o aprendizado de um conteúdo de conotações extremamente teratológicas, como o estudo da análise sintática dos períodos compostos por subordinação, que demandam experiência em morfologia e fonologia, e as análises acerca do Modernismo brasileiro a partir da Semana de Arte Moderna de 1922, que exigem alguma mínima experiência histórico-filosófica. Dói pensar que as minhas crias teóricas do baixo clero pensam tão pouco.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h37
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Como parte de uma atividade denominada salas de leitura, entretanto, observei que sessenta por cento da clientela é pouquíssimo versada nas artes da decodificação das letras. Em outras palavras menos eufemísticas, lêem pouco e ruim. Em se tratando do tão divulgado letramento, hoje, a grande sacada do Ministério da Educação, e a menina dos olhos de dez entre dez pedagogos tupiniquins ou bolivarianos (honorabis sapiens), apenas vinte por cento teriam condições de partir do nível A, aquele em que os conteúdos da leitura já começam a ser relacionados aos fatos do cotidiano. Os demais, ou a grande maioria, deveriam ser iniciados por intermédio de um treinamento em textos a partir dos quais pudessem começar a aprender a entender o que lêem; e isso já seria de grande importância, ou viria para desmistificar o fato de que os cursos de aceleração da aprendizagem só imprimem no estudante um entusiasmo pífio que o deixa decepcionado no momento em que se dá conta de que não consegue ler e entender sequer a simples notícia de um jornal popular. Tende piedade! Eles não entendem sequer a sua realidade lastimável. Os meus rapazes e moças não sabem porque chegaram ao término do ensino médio sem saber a diferença entre o que é municipal e o que é estadual ou federal. Ah, meu Deus! Eles não conseguem andar exatamente na direção norte porque desconhecem a existência dos quatro pontos cardeais. A partir da primeira unidade - o primaríssimo período simples - já se pode observar que, além das tantas dificuldades, a freqüência é tão rarefeita que os alunos não conseguem aprender sequer os nomes dos demais, dos que dizem freqüentar os mesmos ambientes, por não se verem uns aos outros, nas salas de aula. É a flutuação dessa clientela absurdamente sazonal que torna ainda mais difícil o processo de ensino e aprendizagem. Nem pelas vias telepáticas, tão tentadas por mim outrora, infelizmente, esses projetos de cidadãos - que o high society coloca numa maldita segunda categoria - conseguem aprender alguma coisa, simplesmente, pelo fato de a nenhum deles ser dada a faculdade de aprender coisa alguma, a partir do aconchego do seu lar, aquilo que está sendo ensinado numa sala de aula situada a centenas de milhas de distância concreta, mensurável na realidade. Há esforço, há ensino real, mas para um número de alunos que dificilmente chega a vinte, quando na pagela estão inscritas entre quarenta e cinqüenta almas circunstanciais. Alguns recursos foram tentados como forma de suprir as deficiências. Das salas de leitura, buscou-se tirar proveito das novas tecnologias dos processos eletrônicos, como o DVD. Depois, é a vez das aula expositivas com tonalidades às vezes até circenses. Enfim, vai-se ao livro didático e aos exercícios em grande quantidade. Na realidade, foi percorrido todo um caminho através de três vias, ou de três processos didáticos, do tradicional ao fortuito e ao moderno.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h29
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Mas é oportuno salientar que outros velhos expedientes ainda mais inovadores - desculpem a antítese! - serão colocados em prática, além das salas de leitura e das aulas expositivas em retórica exemplar. A grande saída é fazer uso de uma coleção de anedotas decentes arquivadas em computador, teatralizadas por este aprendiz de feiticeiro e lidas em voz alta, como forma de incentivo. Outra solução é a utilização da literatura de cordel ainda como meio de levar a clientela a observar que o hábito da leitura é muito mais divertido que os solfejos e piruetas da banda Calypso, ou dos Aviões do Forró. Os folhetos são muito bem cuidados em termos gramaticais; mais, muito mais que Sabrina ou Júlia, aquelas historietas que as mocinhas do século passado liam e choravam por príncipes e amores ternamente inalcançáveis. Entretanto, apesar dos pesares e das lágrimas nossas de cada dia, a carroça, com certeza, andará avante. Por força das circunstâncias, a partir dessas leituras amenas, virão textos ainda leves, mas muito bem elaborados, diria até clássicos brasileiros, como Os melhores contos, de Autran Dourado, ou Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ou Seringal, de Miguel Ferrante... Aí então,quem sabe, um dia talvez consigamos ler as alucinações telúricas e bestiais do Nelson Rodrigues, ou o impagável Macunaíma, de Mário de Andrade, todos exigidos enquanto leitura obrigatória para o nosso vestibular caboclo. E os meses se foram passando. Vieram, então, as avaliações obrigatórias. Se lhes pedem trabalhos, pelo fato de não virem, não tomam conhecimento dos mesmos e não os fazem, mas querem a menção em forma de nota. Dez! Se lhes exigem que façam provas - ainda a única forma de forçar os melhores a enfiarem a cara nos estudos - tudo fica muito mais difícil porque a escola, hoje, tem em mente os princípios do Enem, o exame nacional do ensino médio, este, uma espécie de mensuração das competências e habilidades dos alunos que requer um alto grau de estudos, concentração e perspicácia teórica. É preciso, antes, ser safo!... E isto se aprende muito bem através do uso das tradicionalíssimas palavras cruzadas, esta, uma prática já adotada por este incauto escriba e professor, a partir deste 2009. Da mesma forma, podem-se tirar proveitos espetaculares quando, depois da leitura de textos um pouco mais densos, a clientela é levada a procurar os significados de termos desconhecidos no cata palavras. É o que tenho feito, apesar dos maledicentes. Ah! Como eles sofrem! Mas eu lhes ensino os truques e escrevo no quadro observações do tipo no dicionário só são encontradas palavras no singular, ou, no dicionário só podem ser achados verbos no infinitivo, ou, que distração não pode ficar perto de distorção, e assim por diante. A luta é indômita, bravia, de sangue no olho, mas, mesmo assim, os frutos têm pouco ou nenhum sabor. Em muitos dos casos, aprova-se pelo fato de as estatísticas apontarem o olho da rua para o pacato professor que não morre de medo dos líderes. Ah, senhores. Os socialistas utópicos sonharam com a classe média que se manteria no poder através das boas escolas freqüentadas pelos filhos seus. Mas a minha realidade é aparvalhadamente outra. Os dados e informações levam este comedor de giz a fazer fileira entre os que acham que o ensino público é uma utopia irrealizável, até porque os estudos de suplência não suprem as demandas e as porongas não se acendem nos juízos dos nossos netos de seringueiros que gostariam de muito mais que um mero lugar ao sol dos justos. As anedotas decentes, as salas de leitura, o cordel nordestino, as palavras cruzadas, o uso de textos e dicionários, além da utilização do que há de mais moderno em termos midiáticos, juntos, somados e aplicados com pertinácia e esforço, poderão certamente fazer desta uma seara em que o trigo haverá de sobrepujar o joio fedorento. Há esperanças, sim. Dias melhores virão, apesar de alguma desesperança tão humana quanto circunstancial. Por isto, afianço-vos que o homem que tem presunção e brio de si próprio só sente verdadeira alegria ao vencer as grandes dificuldades. As pequenas dificuldades não pesam na vida dos humanos e não podem dar-lhes a consciência, a alegria plena do cumprimento do dever. Assim pensam os homens que acreditam que só a eficácia na transmissão do conhecimento é que pode fazer com que as novas gerações não depredem a si próprias pelo simples fato de não terem condições de aqui dizerem a que vieram. Cá co’s meus pobres botões, observo que foi a partir de quando me fiz servente da construção civil que tive de abandonar muitos desesperos e notei que a esperança é que nos leva a suportar o infausto. Incrível! Eu pensei que já nem mais conseguiria sonhar...
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 10h25
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SEGURANÇA PÚBLICA Não digo que estou a colocar um tempero a mais no toque de recolher imposto pelos agentes da nossa segurança pública. Sou vítima da nefasta imposição porque trabalho até as 22h30, chego no Varanda's às 22h45 e, à meia-noite, já devo ir para casa feito uma Cinderela puta da vida. Ademais, é oportuno dar ênfase ao fato de que um amigo paulista de nome Evandro Ávila, advogado, chegou a Rio Branco às 12h15, com uma fome leonina mas, depois de um périplo pela cidade, o fiz ir para o hotel com fome porque, no Restaurante O Paço, não o permitiram saborear sequer um sanduíche. De tudo, além das ponderações da Srta. Sinhasique, cabe uma observação da Simone, minha companheira por esta vida afora. Segundo ela, por não vermos sequer uma manduquinha na cidade depois da meia-noite, depreende-se que, a partir deste horário, as pessoas de bem são fustigadas no rumo de casa, os policiais vão para o descanso, apesar de ganharem mais que professores, os donos de bares e restaurantes lamentam os prejuízos e a bandidagem faz a festa. Segundo ela, polícia ainda é pra correr atrás de bandido.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 06h07
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PAPAGAIADA O PMDB não é apenas o atraso político-ideológico apontado pela Revista Veja desta semana. É muito pior. Senão, observemos o que disse o Renan Calheiros ontem. Pelo fato de, hoje, o PSDB está acuando José Sarney com denúncias sobre denúncias, o zé patranha das Alagoas fez a seguinte ameaça: ou esses tucanos param de ameaçar o nosso todo poderoso presidente do senado, ou eu vou dizer tudo o que sei sobre muitos deles. É um pecador incurável e cínico, e deveria ter sido cassado quando o momento se fez oportuno, no ano passado. Ora, se o sacana sabe muito e nada diz, peca por desrespeitar os brasileiros em geral ao se fazer conivente com os desmandos do tucanato. Se apenas ameaça e não sabe de nada, peca porque acusa sem as devidas provas. Se diz que sabe, e sabe porque são reais as suas acusações contra o PSDB, é esta a hora de fazê-lo falar... Com a palavra o Pedro Simon e o Tião Viana, os únicos em quem confio.
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 06h06
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MEU CARO AMIGO ANGELIM. Peço a Deus para que o seu trabalho seja a cada ano premiado, como nos ocorreu por último. Você é o melhor prefeito que esta cidade já houve por bem ver. Parabéns! Mas há um fator a ponderar. Já por seis vezes durante o Vosso mandato duplo tenho sido atendido quando rogo-vos pela mesma causa. A minha vilazinha não é parte de nenhum bairro, nem da Estação Experimental, conforme deixa muito claro a senhora presidente da associação de moradores. Por isto, não nos sobram benefícios e ficamos à mercê da Vossa bondade quase santa. Digo-vos que o Saerb cavou um buraco e o transformou num lamaçal de verão alimentado pelas águas de uso doméstico. Saliento-vos que os vizinhos mais novos, apesar do serviço da empresa que recolhe o lixo, jogam lixo e detritos em um terreno baldio que, a partir do projeto, seria uma pracinha, ao lado da minha casa, mas virou novamente um matagal infestado por ratazanas descomunais e impiedosas, além de baratas... Pior, meu bom Angelim, é que a leptospirose mata e os meus meninos não podem morrer tão novos. Meu irmão! Os logradouros são de pequeno porte. Seria um serviço simples e nem precisaria de asfalto... Tende piedade de nós!
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 06h05
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PEGOU GERAL Esse Reynold Stephanes, o Ministro da Agricultura, pagou geral para a minha rapaziada. Mas foi bom demais. A visita da bancada federal ao citado Ministério, em suma, foi, para os acreanos, um choque de realidade. Nunca uma verdade chegou em hora tão certa. A nossa terra é fértil, sim. Mas não é apenas o pessoal de Cruzeiro do Sul que não sabe a função da merda do boi. Não são apenas os do Juruá que não sabem que alface, tomate, cebola, couve, dentre outras, nascem a partir da terra, quando plantadas. Basta plantar, irmãos! No vale do Acre, há hortas e pomares, mas a grande maioria dos hortifruti vem de São Paulo. Aqui, não pagamos oito reais por um quilo de tomate, mas pagamos caro porque o que é produzido no meu quintal sai de graça. Só dá um pouquinho de trabalho, o que é saudável, pois finda sendo uma atividade física. O que não dá é o meu povo ficar sentado na soleira da porta, mãos no queixo, pensando no dia em que será empregado do governo, para não fazer nada e se endividar a cada fim de mês. Os órgãos ligados ao setor, como o próprio Curso de Agronomia da Ufac, não podem também dormir em berço esplêndido. Alguma coisa há para se fazer, mesmo que seja em parceria com a Emater e congêneres estatais. Acordem! Sumam no trecho e voltem para o almoço! (José Cláudio Mota Porfiro)
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 06h05
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SEGURANÇA PÚBLICA Não digo que estou a colocar um tempero a mais no toque de recolher imposto pelos agentes da nossa segurança pública. Sou vítima da nefasta imposição porque trabalho até as 22h30, chego no Varanda's às 22h45 e, à meia-noite, já devo ir para casa feito uma Cinderela puta da vida. Ademais, é oportuno dar ênfase ao fato de que um amigo paulista de nome Evandro Ávila, advogado, chegou a Rio Branco às 12h15, com uma fome leonina mas, depois de um périplo pela cidade, o fiz ir para o hotel com fome porque, no Restaurante O Paço, não o permitiram saborear sequer um sanduíche. De tudo, além das ponderações da Srta. Sinhasique, cabe uma observação da Simone, minha companheira por esta vida afora. Segundo ela, por não vermos sequer uma manduquinha na cidade depois da meia-noite, depreende-se que, a partir deste horário, as pessoas de bem são fustigadas no rumo de casa, os policiais vão para o descanso, apesar de ganharem mais que professores, os donos de bares e restaurantes lamentam os prejuízos e a bandidagem faz a festa. Segundo ela, polícia ainda é pra correr atrás de bandido. (José Cláudio Mota Porfiro)
Escrito por José Cláudio Mota Porfiro às 06h02
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